Assunção de Maria: crente, credível, crida

ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA – Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sal 44 (45), 10. 11. 12. 16; 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-56

Caminho. “Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel”. Este é o lema escolhido pelo Papa Francisco para animar a Jornada Mundial da Juventude, de 1 a 6 de agosto de 2022, em Lisboa. Este acolhimento de jovens de todo o mundo no nosso país inspira-nos que teremos a oportunidade de sermos como aquela casa de Isabel e de Zacarias, onde poderemos alegrar-nos e dançar ao tom do Magnificat. O abraço entre aquelas duas mulheres, será o abraço de milhares de jovens que, animados por Jesus Cristo, aspiram a um mundo novo.

No dizer de D. Tolentino Mendonça, ao mesmo tempo que faz um caminho físico e geográfico, Maria realiza o seu itinerário interior, numa saída em anúncio, levando Jesus como dádiva que não pode ficar escondida. O relato do Evangelho, parece evocar uma passagem de Isaías, onde se lê: “Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia boas novas a Sião” (52, 7); e a passagem do Cântico dos Cânticos cantado pela amada: “A voz do meu amado: ei-lo que vem correndo sobre os montes” (2, 8). A locução maravilhada de Isabel: “E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?” remete para expressão do rei David: «E de onde me é dado que venha ao meu encontro a Arca do Senhor?» (2 Sam 6,9).

Abraço. Para todos conseguirmos dar esta abraço, inspirado em Maria e Isabel, temos de viver no presente, não no passado, nem no futuro. Viver a graça desta e de cada hora. Não nos deixemos paralisar pelas amarguras e nostalgias do passado, nem asfixiar pelas incertezas do amanhã, obcecados pelos temores do futuro. Não há outro tempo melhor para cada um de nós do que o presente: agora e aqui, onde estamos, é o único e irrepetível momento para fazermos o bem, para fazermos da vida um presente! A plenitude da vida que esperamos no Céu é um presente do nosso presente. Abracemo-lo! Foi assim que Maria acolheu o Evangelho vivo no seu seio, anunciado pelo Arcanjo, fazendo-a levantar do ânimo que a pôs a caminho para a montanha.

Os “cerca de três meses” que Maria terá permanecido em casa de Isabel evocam, também, os três meses em que a Arca da Aliança ficou em casa de Obed-Edom (2 Sam 6,11). Assim se mostra Maria como a Arca da Nova Aliança, como é aclamada pelo Povo de Deus na recitação da ladainha de Nossa Senhora.

Princípio e promessa. Antes de esta solenidade traçar o itinerário de Maria para a glória do Céu, ela traça-nos o perfil de Maria, movida por uma grande notícia e pelo amor. E neste episódio evangélico está um resumo da vida de Maria: que acreditou, caminhou e se entregou ao projeto divino. Aconteceu com Ela o que diz o bispo italiano venerável D. Tonino Bello: “Se a fé nos faz crentes e a esperança nos faz credíveis, é só a caridade que nos faz acreditados”. Assim, também, Maria é crente porque acolheu o Evangelho, é credível porque caminhou na esperança e crida (acreditada), porque deu a toda a humanidade o seu maior Amor: Jesus.

Este acontecimento principal da Vida do Senhor, dá significado a todos os outros acontecimentos da sua Vida, ao inteiro Antigo Testamento, à Igreja e à vida de todos os homens. Por isso, é primícias e promessa ao mesmo tempo.

Diz D. António Couto: “Mãe Elevada aos Céus, mas Mãe que vela carinhosamente pelos seus filhos. O Rei e a Rainha não são, na Bíblia, títulos de nobreza, mas traduzem a dupla função de quem deve estar particularmente próximo de Deus e particularmente próximo dos homens. Para acolher de perto toda a Palavra que vem do coração de Deus, e para trazer à humanidade a prosperidade, o bem-estar e a felicidade. Tal é a função do Rei e da Rainha.”

Pode acontecer que nas nossas vidas, por vezes, em vez de vermos as estrelas que estão na cabeça de Maria, como na visão do Apocalipse, também vejamos os sinais negativos do dragão que quer devorar em nós a fé, a esperança e a caridade. Nestas horas, rezemos como sugere D. Tolentino Mendonça:

«Não importa sermos pequenos, Não importa de que errâncias chegamos. Deus está sempre disposto a procurar-nos e a encher-nos de uma medida transbordante de Amor. E repete-nos: “Ama-Me como tu és, a cada instante e na posição em que te encontras, no fervor ou na secura, na fidelidade ou na infidelidade. Se tu esperas tornar-te primeiro perfeito para então começares a Me amar, não Me amarás nunca. Eu só não te permito uma coisa, que não Me ames. Ama-Me, tal como és. Eu quero o teu coração esfarrapado, o teu olhar indigente, as tuas mãos vazias e pobres. Eu amo-te até ao fundo da tua fraqueza. Eu amo o Amor dos pobres. Eu quero ver no fundo da tua miséria, crescer o Amor e só o Amor. Se para Me amar, tu esperas primeiro ser prefeito, nunca Me amarás. Ama-Me como és!»
D. Tolentino Mendonça

Nunca nos esqueçamos de que “temos Mãe”, como nos lembrou o Papa Francisco em Fátima! É Maria que vela por nós no Céu.

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