Só com bom alimento é que pode haver bom prosseguimento

[Leitura] L 1 Gen 14, 18-20; Sal 109, 1. 2. 3. 4 L 2 1 Cor 11, 23-26 Ev Lc 9, 11b-17

[Meditação] Celebrámos a Solenidade do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja fundação remonta lá para o início da segunda metade do século 13, com a Bula “Transiturus de Hoc Mundo” do Papa Urbano IV, após o milagre acontecido em Bolsena, perto de Orvieto, que reativou a fé na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia de um sacerdote de nome Pedro (de Praga).

Ora, foi no meio de um caminho tortuoso de falta de fé que este homem de Deus viu acontecer o desígnio da ação divina que socorre no meio das tentações. de modo que a confirmação de uma tão grande Presença o levou a confessar o seu pecado da falta de fé.

A Eucaristia é um Sacramento de Iniciação Cristã (juntamente com o Batismo e a Confirmação), alimento necessário em qualquer idade para a “vida em Cristo”. Nas fontes neotestamentárias, este sacramento vê-se instituído como momento vespertino de um sacrifício maior que é possibilitado por este tão grande Dom. Notemos que a Última Ceia acontece “ao cair da tarde” (Mt 26, 20), antes da Paixão do Calvário; a multiplicação dos pães e dos peixes acontece quando “o dia começava a declinar” (Lc 9, 12), antes da transfiguração; após a Ressurreição, os discípulos de Emaús convidam o Senhor a entrar em casa, porque “a noite vai caindo e o dia já está no ocaso” (Lc 24, 29).

No meu humilde ver, não basta o “alimento” intelectual para que o caminho da fé se faça; é preciso também aquele verdadeiro Alimento que Se materializa, que é Jesus presente na Eucaristia. Se, por um lado, há muitos cristãos batizados que não se sentem missionários por se ficarem por uma mera pertença cultural, sem darem este crédito à Comunhão eucarística; por outro, há alguns cristãos batizados a quem, apesar de uma razoável catequização, é negado o acesso à referida Comunhão eucarística, limitando, mais do que já é a vida humana, a sua esperança de vida cristã.

Os Sacramentos da Cura (Penitência e Unção dos Doentes) são sacramentos para “endireitar” o caminho, sendo este realizado pelos Sacramentos do Serviço (Ordem e Matrimónio, não deixando de considerar o Batismo vivido nas várias formas de Consagração radical ao Evangelho). Delicado é perceber a gravidade daquele pecado chamado “mortal”, que não diminui a força do Sacramento da Presença real de Jesus sacramentado que tem consistência em si próprio (não é por alguém crer ou não crer que Ele está presente, mas porque Está e ponto), mas pode diminuir a eficácia do seu acolhimento para que seja força para a missão em que o cristão está chamado a colaborar.

A formação cristã pode ajudar alguém a acreditar no Mestre e, até, a saber por onde se pode entrar numa relação mais íntima com Ele. Porém, só a comunhão eucarística me parece ser suficiente para se ter a força para se renunciar a uma etapa e, aceitando essa mão do Mestre (que não é só teoria, mas também Presença substancia), dar um salto de qualidade na vida, saindo de um “novelo” de confusão e de dor. Só um Santo Paliativo como este é que poderá ajudar a recuperar de um espinho que foi tirado ou de um espinho que ainda dói. Desde outro ponto de vista, há cristãos que por terem deixado de comungar sem nada que os impedisse aparentemente, se vão esquecer até do viático que poderia tomar no final da vida; enquanto que há alguns que, por lhe ser adiada essa possibilidade, terão de esperar por essa “merenda” para o caminho após a morte. Quanta vida cristã não vivida, porventura em favor de outros. Urge empreender o caminho do discernimento já autorizado e amplamente sugerido pelo Magistério da Igreja. Há alguns que já não a tomam a Eucaristia por desconsiderarem a sua força; há outros que a têm em alto preço e não têm “economia” para a adquirir. Refiro-me à economia da salvação.

[Oração] Rezamos com Santa Faustina Kowalska:

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança em todos os sofrimentos e contrariedades da vida!

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança na vida e na hora da nossa morte!

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança no meio das falsidades e das traições!

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança nas trevas e na impiedade que submergem a terra!

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança no meio da nostalgia e da dor, em que ninguém nos compreende!

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança no meio dos afazeres e no enfado da vida quotidiana!

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança no meio das ruínas dos nossos anseias e esforços!

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança no meio dos ataques do inimigo e das investidas do Inferno!

Ó Hóstia Santa, nossa única Esperança confio em Vós, mesmo quando as dificuldades superarem as minhas forças, e se achar os meus esforços inefica­zes!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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