O discipulado missionário é 7X3

[Leitura] L 1 Is 6, 1-2a. 3-8; Sal 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 4-5. 7c-8 L 2 1 Cor 15, 1-11 ou 1 Cor 15, 3-8. 11 Ev Lc 5, 1-11

[Meditação] Da reflexão do Pe. David Palatino (cf. Liturgia Diária, Paulus) para este V Domingo do Tempo Comum, sintetizamos os seguintes sete elementos para podermos aferir se somos verdadeiros discípulos, a partir da experiência vocacional de Isaías, Paulo e Pedro:

1º – Oferecer espaço a Jesus, para Ele falar, no meio das contradições da nossa história, onde as expetativas humanas não podem superar a vontade de Deus.

2º – Querer ser aprendiz diante d’Ele, na arte de viver, muito para além do que já sabemos fazer, numa visão limitada pela noite da dúvida.

3º – Aprender a trabalhar em equipa, na comunidade eclesial, onde somos chamados a estar “todos, tudo e sempre em missão.

4º – Ser humilde no reconhecimento das nossas debilidades, prostrando-nos diante de Jesus e pedindo perdão.

5º – Querer colaborar com Jesus no resgate do ser humano do possível “naufrágio” do pecado.

6º – Renunciar a tudo o que nos impede de ser livres diante de Jesus, colocando o coração no essencial.

7º – Seguir Jesus para onde quer que Ele vá, aceitando as consequências que isso traz, estando disponíveis para ser mártires, sobretudo nos contextos onde possa existir uma certa oposição à sua Igreja.

X

Também a experiência de Isaías, Paulo e Pedro, nos mostram que há três pontos de partida ou espaços diferentes e, ao mesmo tempo, ambos capazes de ser espaço onde quer o Espírito de Deus, quer cada um de nós se pode “primeiriar”, sem nos fixarmos num só, uma vez que o processo da fé os vai atravessando no decorrer dos nossos dias:

1º – Com Paulo, podemos iniciar e fazer a experiência do seguimento no caminho, onde ele como nós foi/somos salvos das nossos erros e distorções da realidade. Podemos chamar esta possíbilidade de “via profética”, experimentada na catequese e na pregação, em que nos ajudamos a caminhar para uma visão cada vez mais clara do rosto de Jesus Cristo.

2º – Com Isaías, podemos iniciar e fazer a experiência do discipulado através dos espaços sagrados, onde a ação de Cristo nos sacramentos nos toca os lábios e o coração para nos ganhar para a sua missão. Podemos chamar esta de “via litúrgica”.

3º – Com Pedro, somos apanhados “nas margens” do descanso após o trabalho ou , porventura, na angústia do desemprego, onde é urgente dar espaço à Palavra de Deus que não nos deixa naufragar, dando o testemunho, diante das multidões, de que se opta por aquilo que Cristo diz, antes que a todas as técnicas e confortos humanos.

Diante deste 7X3 do seguimento, jamais podemos fechar-nos em “limbos” catequéticos, litúrgicos ou solidários, sem termos presente o todo do caminho até ao Reino de Deus, sem nos deixarmos ancilosar por “ismos” que nos prendam a “detritos de religião” que pouco ou nada têm a ver com o dinâmica da fé cristã, mas somente projeção do espírito humana, por vezes fechado ao Espírito do Amor de Deus. Não foi por acaso que o Sínodo Diocesano de Viseu (2010-2015) propõe o alargamento da ação deste tríplice múnus no que toca à Família e à Juventude: é para que se perceba e haja de facto um “caminhar com” as reais famílias e os reais jovens, nas periferias da existência e não só dentro do círculo da Igreja, chamado a ser círculo virtuoso e não vicioso, porque tecido de relações interacionais saudáveis e eficientes no que toca à propagação do Evangelho da Vocação e da Vida.

[Oração] Ao Espírito Santo:

«Espírito de amor, “descei sobre mim “, para que na minha alma se faça como que uma encarnação do Verbo, que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo, na qual Ele renove todo o seu mistério»

— Isabel da Trindade (NJ 15)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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