Faça o ‘teste epifânico’: rivalidade de Herodes, indiferença dos ‘religiosos’ ou entusiasmo dos Magos?

[Leitura] L 1 Is 60, 1-6; Sal 71 (72), 2. 7-8. 10-11. 12-13 L 2 Ef 3, 2-3a. 5-6 Ev Mt 2, 1-12

[Meditação] Na “geografia” do episódio pós-natal da Epifania do Senhor, é-nos desenhado um mapa que pode ser útil para fazermos o “teste epifânico” contra a doença dos muros que, entre Jerusalém e Belém — assim como entre as cidades e as aldeias, os ricos e os pobres, etc. de hoje — nos separa da verdadeira manifestação do Emanuel como o Deus-com-toda-a-humanidade. Basta vermos o muro da rivalidade que separa os Estados Unidos da América e o México e o muro da indiferença que separa o Oriente e a Europa, para nos darmos conta de que esta mensagem é atualíssima!!

É muito fácil sentirmos hoje a perturbação de Herodes por medo de rivalidades e de religiosos do seu tempo pela indiferença aos sinais de Deus: tememos ser invadidos por quem nos possa tirar do lugar seguro que possuímos (ou que nos “possui”!) ou estamos muito apoiados nas nossas certezas humanas com que substituímos a Revelação de Deus. Mais difícil é, hoje, sentirmos o entusiasmo dos Magos, os pagãos que, não temendo sair de si e da sua terra, perseguem aquela estrela que os leva ao verdadeiro Deus que, por nosso amor, incarna. Os que vivem para cá daquele “muro” do medo, têm deficit do desejo de Deus, porque fecharam os olhos à maravilha e são só capazes de juízos e violência. Os Magos, pelo contrário, são como as crianças, capazes de ver coisas maravilhosas nos pequenos sinais sinceros feitos para eles, sabendo-se meter em jogo sem demasiados filtros de racionalismo, conveniências, prejuízos e medos.

Hoje, aqueles magos (de quem Mateus nem sequer diz o número) são todos os que buscam Deus. Ai de nós, os que de certa forma habitamos os ambientes sagrados, se não continuarmos a ser buscadores. Seremos postos fora de qualquer maneira, se não nos dispusermos a estar em saída, na missão. Na busca, seguindo a estrela do desejo interior ou dos subtis sinais exteriores que o Senhor nos quiser dar; no regresso, seguindo o sonho, da mesma maneira que José, para defender o Jesus que quer nascer nos pequeninos da nossa história contemporânea. Metamo-nos a caminho, amando sem medos e condicionamentos, metendo-nos em jogo na vida e na fé!

[Oração] Uma luz no caminho (de Florentino Ulibarri):

Agora que não há novidade na nossa vida nem nos caminhos da história,
Nem na nossa memória pessoal e coletiva,
Nem no que propõem os gurus e a ciência…
É tempo de refletir e aprofundar
Em tudo o que levamos às costas,
E nas zonas condenadas do mundo.
E das entranhas as nossas.

Agora que a tua palavra quebra nossos planos,
E as estrelas desaparecem do nosso horizonte,
E nos caminhos se misturam tantas pegadas,
E a vida se nos turva e fecha…
É tempo de fazer silêncio,
De esquecer os tristes sentimentos
E acolher sua insólita proposta
De ir ao verso da história.

Porque nesses lugares.
Você está sempre à vista,
Esperando nossa chegada
Para cuidar da vida
E nos oferecer sua boa notícia.
Que grande horizonte e tarefa, para não aborrecido,
E entretidos, nesta época triste e escura!

Vamos nos encontrar, Senhor,
Nas Encruzilhadas e caminhos,
Nas praças e nas casas que nós vivemos.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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