E que tal (re)batizarmos o (pai) natal?!

Temos andado para aí com o debate entre o Menino Jesus e o Pai Natal, este defendido com antecipação pela tática consumista desta quadra e Aquele escondido, pela liturgia, dos presépios até à verdadeira data. Quem terá (mais) razão? Que caminho seguir, entre o choro das crianças que descobrem que, afinal, o homem que vem de trenó até á nossa chaminé não existe (ou já não virá pela chaminé?) e entre a aparente descristianização do Natal a que se reserva cada vez menos tempo de espera e preparação?

Sugiro uma dinâmica que não é original, mas que hoje nos poderá ajudar a recuperar o verdadeiro sentido do Natal, sem deitarmos fora as diversas partes. Proponho que “batizemos” o Pai Natal de Nicolau e o registemos nos Registos Civil e Eclesiástico como o Quarto Rei Mago. Qual é o problema? Não foram assim que surgiram todas as lendas? Sabem onde estão “registados” os nomes dos outros Três Reis Magos? Nos Livros intitulados de Apócrifos, cujo conteúdo não foi aceite nos Cânones Bíblicos por não se considerarem (após imenso estudo) inspirados por Deus, mas que não deixam de ter conteúdos que são muito úteis para a compreensão do mistério central da nossa fé. Na verdade, nesses “apócrifos” estão escritas, não as verdades da fé, mas os desejos humanos que ambicionam a manifestação do infinito.

Como “apócrifos” não significa “heréticos”, penso que não podemos andar para aí a “excomungar” o Pai Natal, desde que o “batizemos”, quer dizer, que não o ponhamos a cometer injustiças e a fugir de Jesus Cristo, mas pedindo-lhe que ajoelhe a seus pés, como fizeram os outros Três Reis Magos. Tenhamos em conta que “Herodes” deste quarto Rei Mago é o consumismo e via de solução para um bom regresso sem corrupção é a justa distribuição de bens essenciais entre os seres humanos. O Pai Natal é o “Rei Mago” sugerido pelos tempos modernos, uma vez que aqueles três já estão bem longe. Pode ser o pai ou a mãe, o avô ou a avó, o tio, a tia ou os padrinhos… ou um vizinho, para que chegue a todas as crianças o que mais precisam para viverem animados. Que cada dádiva natalícia faça presente o verdadeiro espírito cristão do Natal original.

— In Jornal Terras de Santa Maria Madalena, Campo 21/12/2018

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