É à saída que a Igreja “tem saída”, não com triunfalismos, mas com o serviço

[Leitura] Jer 31, 7-9; Hebr 5, 1-6; Mc 10, 46-52

[Meditação] Gostaria de iniciar a reflexão deste XXX domingo com o versículo 9 de Jeremias 31:

Eles partiram com lágrimas nos olhos, e Eu vou trazê-los no meio de consolações. Levá-los-ei às águas correntes, por caminho plano em que não tropecem. Porque Eu sou um Pai para Israel, e Efraim é o meu primogénito.

Esta é a descrição do caminho de todo o ser humano até que aconteça o encontro com Deus em Jesus Cristo, como o encontro daquele “maltrapilho” Bartimeu, às portas de Jericó, de onde Jesus ia a sair a caminho de Jerusalém.

— Que queres que Eu te faça?

— Mestre, que eu veja.

Neste versículo 15 de Marcos 10, vemos como é que Jesus “arranca” a cura do cego, que logo a seguir Jesus garante ser a sua fé n’Ele. Jesus passou por Jericó, onde anunciou a boa nova do amor de Deus, mas foi à saída que se ouviu o grito mais expressivo de reação a esse anúncio. Por vezes é também assim na Igreja: é nas periferias que se escutam os gritos mais expressivos que justificam a passagem de Jesus pelas nossas comunidades.

Daqui tiramos uma conclusão: Jesus está aqui, é verdade, mas é de passagem. Nós tendemos a fechá-lo só para nós: no sacrário da nossa povoação, no peito da nossa vida, no íntimo bem-estar das nossas famílias, mas Ele, na verdade, está sempre de passagem. E o caminho dos que são atendidos não é o de meramente serem retornados ao ambiente da Igreja, mas o caminho próprio que a Igreja é chamada a tomar no seguimento para o Reino. Porque a referência é o Reino e não meramente a Igreja. Esta é convidada a estar, também, a caminho!

O sofrimento é a real forma de averiguar o tipo de fé e a coragem do seguimento do Filho do homem. Também a comunidade da Igreja se prova nas suas crises, em que se prova ser capaz de caminhar ao encontro da novidade que o Ressuscitado a vem surpreender. É curioso, a este respeito, que ao recebermos a notícia da nomeação de D. Armando Esteves Domingues para bispo auxiliar do Porto temos a descrição semelhante do que relata a cena do Evangelho: uma primeira reação de triunfalismo (não do próprio nomeado que aceita humildemente mais este upgrade na missão de servir a Igreja, mas dos que pensam numa nomeação destas como mera honra humana), para a seguir nos darmos conta de que, com esta doação da Diocese de Viseu, é preciso que outros saiam da sua “toca” para vir a servir no ministério sacerdotal. E aqui, só a fé no sacerdócio de Cristo no qual os padres são configurados, é que nos pode salvar! Nesta hora de partilha deste bem vocacional que temos, que o Bom Pastor não nos deixe desamparados! Vamos viver a celebração desta dádiva com novo impulso missionário.

[Oração] Sal 125 (126)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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