Ser testemunhas credíveis requer gestos corajosos

[Leitura] 1 Cor 15, 1-11; Lc 7, 36-50

[Meditação] Podemos, porventura, cair no fraco realismo quanto aos que a Igreja venera como Santos Mártires, idealizando-os como super homens e super mulheres, cheios de virtude e sem mácula alguma de pecado. É este pensamento que nos separa excessivamente daqueles que já caminham na Igreja triunfante. Na verdade, à luz do Evangelho, eles são equiparáveis àquela mulher que «muito amou», mesmo com os seus muitos pecados que lhe foram perdoados.

Os atos corajosos que Deus quer que façamos para dar um testemunho credível do seu amor não devem ser isentos de fragilidades e de quedas, mas cheios da experiência do perdão misericordioso de Deus. Senão, como poderia o nosso testemunho ser credível, se não fosse ele mesmo identificador da transformação que o amor de Deus começa por realizar em nós?!

Por vezes, a missão da Igreja fica-se pela mera conveniência da convivência social, onde se cumprem protocolos pouco inspirados pelo Evangelho. A Igreja não é uma imitação da sociedade civil, mas deve transformar-se, dia-após-dia, naquela esposa virtuosa, porque amada pelo seu Esposo, a pontos de aceitar, sem vergonha, o seu poder de purificar da mundanidade espiritual. Isto porque, como diz o Apóstolo, teremos de anunciar o que recebemos e não acomodar o Evangelho às forças ideológicas da cultura. É por isso que D. Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização no Vaticano, prefere hoje falar de “Evangelização das Culturas” do que de “Inculturação da Fé”, para não sermos levados a pensar e a fazer como se as palavras e os gestos de Jesus tivessem de aprender alguma coisa com a nossa cultura. Esta é que pode ser iluminada por aqueles (embora não sem esforço).

[Oração] Sal 117 (118)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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