É Jesus que lança os alicerces do ecumenismo prático

[Leitura] Tg 4, 13-17; Mc 9, 38-40

[Meditação] À parte da inveja dos que se principiaram na primeira escola do discipulado de Jesus − que aqui não tem lugar qualificar, mas apenas justificar pelo facto de os “de fora” fazerem milagres e os que O seguiam mais de perto não conseguirem (veja-se a difícil cura do filho epilético narrada em Mc 9, 14-29) − o Evangelho de hoje mostra-nos a abertura de Jesus aos “homens e mulheres de boa vontade” que, embora não seguindo de perto os seus ensinamentos, tinham uma sensibilidade para a prática dos valores contidos neles, talvez pela admiração que Lhe nutriam, apesar de não terem condições (culturais, políticas, morais, espirituais, etc.) para O poderem acompanhar.

Estão aqui os elementos que permitiram a Igreja refontalizar-se quanto ao que está contido do Decreto Conciliar Lumen Gentium e que abre portas ao chamado “ecumenismo prático” que une cristãos e não-cristãos na promoção da vida e da dignidade da pessoa humana, como despiste a todo o tipo de fundamentalismo que que negue aquele fundamento.

Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e connosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida recta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demónio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões.

Lumen Gentium, n.º 16

Lumen Gentium n. 16

[Oração] Sal 48 (49)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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