Na mutualidade criada por Jesus, a verdade partilhada é a alma do amor gratuito!

[Leitura] Act 10, 25-26. 34-35. 44-48; 1 Jo 4, 7-10; Jo 15, 9-17

[Meditação] Usando a metáfora das mutualiades que existem na sociedade, como as de crédito mútuo, etc., pudemos fazer a comparação ou confronto, em que que nestas, o empregado não pode saber o que sabe o seu patrão, porque “o segredo é a alma do negócio”. Na mutualidade criada por Jesus – a Igreja a caminho do Reino – não há segredos entre o Pai e os seus filhos, a partir do Batismo, para que se possa viver o amor mútuo na forma em que o próprio Jesus deu o exemplo.

No seguimento do Mestre, também os Apóstolos, como Pedro, desviaram-se de “salamaleques” que pudessem distrair desse ideal nativo do cristianismo nascente, exortando a dar mais importância à nova doutrina anunciada e praticada por Jesus. Estava claro, na Igreja primitiva, que o Espírito (entenda-se o Amor de Deus que não faz aceção de pessoas) era um dom para todos os homens e mulheres de boa vontade. Portanto, não se deveria negar a ninguém a “cidadania” do amor de Deu, a ter consequências práticas em todos os dinamismos da Igreja fundada por Jesus Cristo.

Pode, pois, haver segredos entre os Batizados?! Ainda que as estruturas ou organizações humanas “pias” haja segredos, não foi o Pai, nem o Filho, nem o Espírito Santo que o propuseram!! Antes do rito ou de toda a organização eclesiástica, está o Amor mútuo, fruto da presença do Espírito do Ressuscitado, que lhe dá conteúdo e consequência. Após todos saberem tudo, ainda que gradualmente por uma boa Evangelização e Catequese, então, há que nos organizarmos em dinamismos da nova evangelização. Andar com segredos, cada um a fazer por seu lado – é velha evangelização. Penso que esta não terá muito a ver com a Páscoa de Jesus Cristo, mas mais com as “páscoas” ou “passagens” do Antigo Testamento.

Temo que haja muitas coisas denominadas “pias” que caducaram quanto ao ideal proposto por Nosso Senhor Jesus Cristo. Há que, teimosamente, voltar lá à fonte do Evangelho, ainda que custe. Vale uma sugestão prática e atual? Quando, na Diocese de Viseu acolhermos o novo Bispo eleito, não nos ponhamos a beijar a mão com toda a devoção, fugindo, depois, ao dever de reverência e obediência no que toca à posta em prática das moções sinodais que ele mesmo já declarou receber do seu antecessor!! Estamos neste Espírito?! A Igreja quis parecer-se tanto com as sociedades civis que corre o risco de fazer-se “pagar” em tudo o que faz (mesmo sem dinheiro, mas com honrarias), passando a navegar nas águas da hipocrisia que destrói o amor no seu verdadeiro sentido Evangélico. Haja alguma indignação que, ainda que custe o martírio, nos faça regressar às águas frescas do cristianismo!

[Oração] Sal 97 (98)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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