O sepulcro vazio de morte é sinal de uma comunidade cheia de vida!

[Leitura] Jo 20, 1-9

[Meditação] O Domingo de Páscoa deveria ser um dia para irmos todos ao encontro dos “sepulcros” vazios onde a morte já não impera, mas unicamente a abertura ao Espírito Santo expirado pelo Ressuscitado. Temo que haja ainda um lastro de judaísmo nalguns cristãos de hoje: agarramo-nos ao corpo de Cristo morto para não deixarmos que a novidade do Seu Espírito nos leve a viver na perspetiva da Ressurreição. Não é por acaso que Jesus diz a Maria Madalena: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.’» (cf. Jo 20, 17), não a deixando agarrar-se ao corpo que Ele tinha, mas a adorá-l’O no seu Corpo glorioso. Temo que a “páscoa” de alguns cristãos seja a eternização de uma escrupulosa Sexta-feira Santa, uma vez que não aguentam beijar ou sorrir unicamente a Cruz florida com resplendor, onde já não pende o corpo do Crucificado. Sem a sua Ascensão, como nos poderia ser enviado o Espírito de Amor? Na Epístola da noite santa de Páscoa, o Apóstolo Paulo garantiu-nos que «uma vez ressuscitados dos mortos, Cristo já não pode morrer» (cf. Rm 6, 3-11). De facto, Paulo sugere-nos a nós cristãos que preguemos Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios (cf. 1 Cor 1, 23). No entanto, a pregação do Apóstolo não se fecha nesta afirmação. O que será, para as comunidades de hoje, mais sinal de escândalo?

Após a Ressurreição, toda a expressão de fé há de ver o lugar das causas do mal (o “lugar dos cravos”) em vez das mesmas, uma vez que a Morte e Ressurreição de Cristo tudo superou. Hoje, a Cruz de Cristo continua a ser sinal de escândalo, nos diversos ambientes da sociedade laica (com raras e corajosas exceções!). Talvez isto se deva também ao facto de muitos batizados se terem demitido de, como Tomé, “tocar” no lado sofredor dos irmãos com quem o Ressuscitado Se identifica.

Ainda há muitos (des)crentes para quem a vitória do Ressuscitado sobre a morte é ainda mais sinal de escândalo do que as cruzes em que muitos, hoje, são “crucificados” pelos que ferem a dignidade humana. Não há dúvidas, muito para além do sepulcro vazio e das aparições do Ressuscitado: a grande prova teológica (de fé) da Ressurreição é a Igreja viva, como sinal do Corpo vivo do qual Cristo é a Cabeça. Este discurso não é meramente uma figura de estilo (por exemplo, a sinédoque em que se toma a parte pelo todo e vice versa), mas a declaração de uma correspondência real entre Cristo vivo e a comunidade dos crentes. Estes são, por isso, convidados a ser tstemunhas desta verdade a toda a humnanidade, para que a todos chegue o anúncio deste promessa de vida eterna.

[Oração] Olhando para toda a dor que deixou um vazio, meditando o anúncio da Ressurreição, olhar o céu ao som da improvisação para 3 pianos de Ola Gjeilo “Seven Eight” (“Sete Oito”) e “Spotless Rose” (“Rosa Impecável”).

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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