Temp(l)o que não santifique, não serve o ser humano

[Leitura] 1 Mac 4, 36-37. 52-59; Lc 19, 45-48

[Meditação] Chegou, também, à religião o epíteto americano “time is money”, com a sensação generalizada de que se sem dinheiro não podemos ter tanta saúde e bem-estar psicológico, então também não iremos ter uma satisfatória vida espiritual. Mentira! Se não houver coisas à venda ao redor dos nossos templos, a possibilidade da santificação que leva à vida eterna não está obscurecida. A menos que a Palavra de Deus e os Sacramentos nos estejam vedados pela caricatural “falta de tempo”.

A Palavra de Deus e o conhecimento da atitude de Jesus a que por ela temos acesso ensinam-nos, precisamente, que o que santifica é tudo aquilo que não dá lucro material mas… espiritual! Conta a anedota que só as moedas pequenas é que vão para o céu, porque foram somente essas que entraram nela… para ser dadas aos pobres! E só quando há uma flagelo grandioso é que as notas, porventura, lá entram… como se houvesse pobres nessas ocasiões! É por isso que o Santo Padre está sempre a avisar que a Igreja não é uma ONG (Organização Não Governamental), como a ONU ou outras. A sua missão é outra, sem, naturalmente, se esquecer do cuidado integral do ser humano. Se Paulo disse «para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro» (Fl 1, 21), é porque estava convencido que a direção da vida não é enchermos a dispensa desta vida, mas de outra vida maior e mais plena.

Não foi ao acaso que os Macabeus deixaram escrita a coragem da morte diante da infâmia de não prestar culto ao verdadeiro Deus e, como hoje lemos, de celebrar a dedicação de um templo que esteja isento do culto a outros deuses. Não são fábulas, os testemunhos de mártires como o dos vietnamitas Santo André e seus Companheiros! Não é para obtermos uma “graça a baixo preço”, como nos sugere o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, mas a alto preço como o foi a dádiva de Cristo na Cruz (e não outra). Ainda me mete impressão o custo da missa (chamado estipêndio pelos mortos) que não seja o Sacrifício da Missa (de Cristo para todos!). Os templos apontam para o verdadeiro Templo que é Cristo ou, então, não servem o ser humano.

As dinâmicas da cidade eterna podem fazer “trabalho de equipa” com as dinâmicas da cidade terrena, mas não se confundir ou homologar para que estas reinem em favor próprio, desmesurando o horizonte para que aquelas nos foram inspiradas. Estou cada vez mais convencido que as estruturas ou atividades que não têm em conta, objetivamente (ou intersubjetivamente), o bem integral do ser humano, essas tendem a falecer com o tempo. Então, haja Templo e não detritos de templos…! Para que o ser humano viva a sociedade “em cheio” para uma vida plena!

[Oração] Convida-se a rezar a Palavra com o Prefácio da Dedicação da Igreja:

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças sempre e em toda a parte, por Cristo, Nosso Senhor. Nesta casa visível, que nos destes a graça de construir, incessantemente concedeis os vossos favores à vossa família que, neste lugar, peregrina para Vós. Aqui nos dais o sinal admirável da vossa comunhão connosco, e nos fazeis participar no mistério da vossa aliança; aqui edificais o vosso templo, que somos nós, e fazeis crescer a Igreja, presente em toda a Terra, na unidade do Corpo do Senhor, que um dia tornareis perfeita na visão de paz da celeste cidade de Jerusalém. Por isso, com os anjos e os santos, nós Vos louvamos no templo da vossa glória, e Vos bendizemos e glorificamos, cantando a uma só voz: Santo, santo, santo… 

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo