Publicado em Lectio Humana-Divina

Da situação à “sorte”, o convite a pensar bem o sentido da humanidade

[Leitura] Ag 1, 1-8; Lc 9, 7-9

[Meditação] Quem é o Homem? Deve ter sido a pergunta que Herodes fez em relação à Pessoa de Jesus, diante dos factos que ouvia em relação a Ele. Apesar de O procurar ver, o seu pensamento acerca de Jesus, porém, estava limitado à forma como lidou com os que O anunciaram.

A profecia de Ageu mostra-nos a importância de pensar bem cada situação, antes de se subir o monte à procura de alguma “sorte”. O sucesso verdadeiramente importante para a vida não vem tanto da riqueza da forma humana, quanto da eloquência da graça divina. Prova-o a “madeira” que o Senhor sugere para a construção do templo, para que o povo não desconsidere a complacência manifestada em favor da sua situação em que Ele quer mostrar a sua glória.

Numa tentativa de resposta à mesma pergunta de Herodes (“Quem é o homem?”), Abraham J. Heschel sugere que «nenhum problema autêntico resulta de uma mera curiosidade; é o produto de uma situação; apresenta-se nos momentos de dificuldade, de desconforto intelectual, de tensão, de conflito, de contradição». A existência humana é que se se faz problemática, requerendo respostas e obrigando a tomar posições, o que não se leva a cabo de forma esporádica, mas comummente no quotidiano desejo da busca de autenticidade. Admiração e maravilha, frustração e desilusão, o negativo e o vazio, são binómios por entre os quais é feita essa busca pela qual o ser humano é convidado a superar-se no assumir de desafios tais como: a liberdade de realizar-se, a convivência com os outros e a necessidade de um significado global.

Para compreender o significado da existência humana e avaliar a sua urgência, devemos examinar aquela situação com todas as suas dificuldades, com todas as suas tensões que a acompanham, devemos manter a memória do seu início doloroso, do aspeto problemático com que se manifestou, dos sentimentos contrastantes que suscitou, da necessidade profunda de fazer-lhe frente, das preocupações nutridas. Se o problema é humano e nós queremos conhecê-lo e comunicá-lo, então, devemos sair da condição puramente subjetiva e exprimir as nossas incertezas, as nossas contradições, as nossas tensões, mediante termos lógicos: mediante palavras.

Falar do mistério da Pessoa e do mistério do Homem é uma aproximação à situação concreta vivida pelo ser humano, de modo a ajudá-lo a encontrar o seu significado, procurando não o defraudar com uma inadequada concetualização do mesmo.

[Oração] Sal 149

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu