A integridade é mordoma sábia do bem comum e total

[Leitura] Is 22, 19-23; Rom 11, 33-36; Mt 16, 13-20

[Meditação] Em certos círculos formativos, é muito comum falarmos de formação integral quanto nos referimos à preparação de uma pessoa para assumir uma missão de responsabilidade. Acontece assim com a formação dos futuros presbíteros − nas dimensões humana, espiritual, intelectual e pastoral −, na vida consagrada (no noviciado e postulantado), para o matrimónio (CPM) e, até, nalgumas academias que preparam para a vida profissional. Sem esta formação para uma vida íntegra (e às vezes até com ela!), pode acontecer uma administração corrupta, como a de Chebna ou a daqueles que deturpavam o sentido da missão de administrar a res pública (as coisas públicas) ou, no tempo de Jesus, o sentido da palavra Messias. Por isso, Chebna foi substituído por Eliacim, figura-tipo inspiradora da missão que Jesus vive e confia a Pedro, depois de ver comprovada a sua fé.

Hoje, também, em certos círculos, é muito frequente a indiferença à origem da sabedoria, ficando-se por um simples academismo ou cientismo. Pude comprová-lo recentemente em ambiente universitário: falar que a sabedoria infinita pertence a Deus e sugerir que só atribuindo a Ele essa sabedoria é que podemos sair bem sucedidos no trabalho pode ser causa de alguma indiferença ou de risos trocistas! E, na verdade, os cientistas mais maduros são capazes de comprovar que a falta de integridade ameaça o trabalho de um bom cientista. Na Igreja, também houve uma grande época em que a interpretação da Sagrada Escritura nos foi vedada; menos mal que, apesar de muita iliteracia bíblica, o Povo não deixou de confiar no seu Deus!

Hoje, com um grande acesso à Bíblia, pela leitura diária ou semanal a partir dos Lecionários, na comunidade da Igreja não podemos ficar por meias respostas ou pelo que  parece sobre Jesus ou sobre as verdades de Deus, como as que são relatadas em segunda mão pelos discípulos. Em primeira mão, somos chamados, sem diminutivos, a dar razões da nossa fé ligando os valores propostos pelo Evangelho à vida prática, sem medo de retaliações. Há pouco tempo um amigo meu enfermeiro partilhou comigo que mudou do estabelecimento de saúde central onde trabalhava para outro para não ter de vender a alma. Quanto o admiro! Para se ser um bom profissional não basta ser portador de boas técnicas; é preciso usá-las para o bem dos outros, sem reduzir as pessoas a coisas. Como em todas as dimensões da vida eclesial e social: não basta ter recursos ou meios bons; é preciso orientá-los para o bem comum e para o bem total.

[Oração] Sal 137 (138)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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