A universalidade da salvação é mesmo para todos! Anuncio-a e acolho-os?

[Leitura] Is 56, 1. 6-7; Rom 11, 13-15. 29-32; Mt 15, 21-28

[Meditação] A Teologia Católica, sem demoras, respondeu ao axioma “extra ecclesia nulla salus” (fora da Igreja não há salvação) com a ousada definição das fronteiras invisíveis da Igreja, afirmando que os que praticam o bem não estão fora da misericórdia divina. Já o Apóstolo Paulo afirmava «Glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem (…). É que em Deus não existe acepção de pessoas.»

Num contexto de pluralismo cultural e religioso é muito fácil cairmos na tendência de pensarmos que a salvação não está acessível a todos, mesmo antes de refletirmos que é o ser humano que cria fronteiras exclusivas para definir o espaço de segurança que pensa ser o lugar onde Deus lhe dará a atenção devida. Ficamos estressados quando descobrimos que não é esta a lógica de Deus. Então, como mudar a mentalidade do homem?!

Jesus ensina-nos com a sua estratégia pedagógica, diante de uma mulher cananeia que, entre os judeus, pertencia aos “impuros” cognominados de “cães”, assume o papel dos fariseus, não para se ficar pelo silêncio ou (aparente) insulto, mas para concluir com o que só o Mestre naquele tempo teria a coragem de lhe dizer, juntamente com a cura da sua filha: «É grande a tua fé. Faça-se como desejas». Dá a impressão que Jesus conhecia o método da ionia e da maiêutica de Sócrates (séc. IV a.C.)!

Por vezes, pormo-nos na pele de quem é arrogantemente puritano, representando o ridículo que são as suas ações marginalizadoras, é útil para lhes mostrarmos quão desadequada é a sua postura diante dos últimos pode se muito útil pastoralmente. Sem nos esquecermos, claro, de desmanchar a cena com a verdade do bem universal. É por isso que José Maria Pagola, nos sugere recuperarmos o projeto de Jesus a partir dos últimos, das vítimas, e não a partir de leis pré-concebidas.

O Apóstolo Paulo fez o mesmo que Jesus, utilizando o seu carinho pelos pagãos como meio de atração para os judeus. Não nos deve parecer estranho, portanto, que os cristãos em geral e os que são agentes pastorais em particular nutram carinho por quem está afastado e, inclusivamente, provoquem uma espécie de ciúme diante de quem pensa que tem a salvação só para si. A mensagem do Evangelho é mais que um detrito de religião. Não é a mentalidade de determinadas pessoas, um tempo e de um espaço, que define o projeto de Deus. É mais do que possamos imaginar.

Como nos tempos do pós-exílio do antigo Povo, de Jesus e do Apóstolo Paulo, também hoje, nos continuamos a confrontar com pessoas concretas que, como a mulher cananeia, nos colocam problemas “de fronteira”. Quando a tendência é, de forma calculista, fechar o acesso, Jesus manda-nos dar primazia à pessoa e apoiá-la no caminho de recuperação. A partir do momento e enquanto houver uma vontade como aquela, não se pode dizer a alguém que a sua situação é irrecuperável, mesmo quando uma pessoa pede a cura para um seu ente querido. O Papa Francisco, a partir de A Alegria do Amor, pede-nos para acolher, discernir e integrar.

[Oração] Sal 66 (67)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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