Serviço confiante, Escuta rezada, Intimidade realizada

[Leitura] Act 6, 1-7; 1 Pedro 2, 4-9; Jo 14, 1-12

[Meditação] O V Domingo da Páscoa, com o qual começa a Semana da Vida, é o que o Evangelho nos faz escutar a autodenominação de Jesus como “o caminho, a verdade e a vida”, em resposta às imprecisões dos seus discípulos. Na verdade, a fé destes está a crescer e Jesus não perde uma oportunidade para a levar à sua consumação, uma vez que será a partir deles que continuará a realizar a Sua missão, no tempo do Espírito Santo que é a Igreja.

A experiência de três personagens da Liturgia da Palavra ajudam-nos a “reescrever” a partir daquele mesmo título do grande projeto de Jesus a nossa “redação” pessoal de vida cristã:

1) TOMÉ, depois de ter deixado dispersão incrédula e regressando à comunidade na sua versão pós-pascal, fica entusiasmado com a informação de que Jesus também tem uma morada (um lugar) para ele no Reino de Seu Pai. Desenfreado, ele quer saber o caminho, para ir para lá a correr. Se tivesse corrido, como Pedro e João, no dia de Páscoa ao sepulcro não se teria perdido nestas inconsistências entre o objetivo e o que é preciso fazer para lá chegar. Para resolver esta inconsistência, Jesus propõe-Se como “o caminho” para todos, porque há lugar para todos! É como se lhe dissesse: continua a vir aqui à comunidade e a realizar o que aqui se aprende e orientarás para lá… É nesta frequência de encontro físico (na Liturgia e na Vida) que a intimidade com Jesus e, consequentemente, com o Pai amoroso que Ele anuncia com a Sua Pessoa, se vai realizando.

2) FILIPE, porventura mais assíduo, mas também algum tanto distraído, fica-se pela superfície (talvez autocompensatória) do que seja ver o rosto do Pai, pedindo a Jesus que lhe mostre o Pai, que isso lhe basta. Ignora que está diante dele a melhor forma de o tocar: a Pessoa de Jesus. Dá a impressão que, mesmo que assíduo, possa estar distraído aos traços com que a escuta da Palavra de Jesus vai tornando visíveis a imagem de Deus, clara em Jesus e refletida em nós a pouco e pouco (e não só nos judeus, mas também nos gentios!). Por isso, é importante não nos limitarmos a escutar a Palavra de Deus e a distrairmo-nos com os sinais, por vezes exageradamente exuberantes, da Liturgia (bons para as crianças, não tão benéficos para o desenvolvimento da maturidade adulta!). De domingo a domingo, é bom rezarmos a Palavra de Deus, para que aqueles salpicos de intimidade possam ser encontro em profundidade com a verdade plena.

3) PEDRO, entre a negação temerária em conhecer Jesus e a afirmação confiante de O amar, que o faz o primeiro responsável da Igreja, descobre (e revela-nos) que somos templo espiritual com uma “pedra angular” no centro que serve de modelo à lapidação das outras “pedras vivas” que são os crentes. Para que esta “lapidação” aconteça são precisos vários serviços na Igreja (não só destinados aos de dentro, mas também aos de fora), modulados segundo o discernimento dos sinais que vão “impondo” a urgência das necessidades fundamentais da dignidade humana, em ordem ao completar da construção do Reino de Deus. O serviço confiante, mesmo que entre negações tímidas e afirmações crentes, são, nas boas ações, as “poldras, daquele caminho feito no Espírito de Jesus e do Pai.

A partir deste V domingo pascal, jamais podemos dizer que a fé não seja um processo derivado de um dom preciso, convite a deixar “lapidar” a experiência cristã pessoal, até à consumação da história pessoal. O papel das comunidades poderá ser o de organizar o melhor possível, sem tradicionalismos, mas a partir da verdade do Evangelho e em união com o Magistério, a transmissão daquele Dom para que todos possam, em contacto com Ele, descobrir o bem que em cada um já começou.

[Oração] Sal 33 (34)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo