O amanhecer abundante da obediência a Deus rompe com a noite constritiva na desobediência humana

[Leitura] Act 4, 1-12; Jo 21, 1-14

[Meditação] Na Liturgia da Palavra destas 24 horas do grande dia que é esta Oitava Pascal, se estivermos atentos, somos levados a contemplar com nitidez  a passagem entre a noite e o amanhecer divino que rompe com os seus dramas humanos. É nítida, também, a forma perentória com que os chefes do povo, os anciãos e os escribas tiveram em constringir os Apóstolos a obedecer às regras rígidas da religião judaica, sendo o caminho de Jesus uma proposta mais imperiosamente cativante.

Hoje continuamos a assistir, entre o cumprimento de tradições e a esperança de vida feliz, à contradição que é fazer depender o sucesso mais daquele cumprimento do que no encontro com Jesus Ressuscitado. Aponto como exemplo o corre-corre das visitas pascais: quanto de verdadeiro encontro se realizará num ou dois dias, entre a azáfama de chegar a horas e o cumprimento de passar em todas as casas? Não seria melhor aproveitar os 90 dias (senão mesmo o ano pastoral todo) para o encontro demorado entre o pastor e as pessoas nas suas famílias? Mas para reverter as tradições na Tradição, seria preciso desobedecer a alguém!

Não me escandaliza que não haja visita pascal se houver formas de viver a Páscoa iluminadas pelo acontecimento da Ressurreição. Viver ressuscitados não será mais viver a mensagem que Jesus nos deixou, encontrando-O no outro que somos chamados a amar concretamente? A Páscoa pode ser o “jogo” entre as circunstâncias sociais/eclesiais e a obediência aos meios mais adequados para chegarmos todos ao mesmo fim. Usar a Páscoa para não ver morrer tradições em vez que a vivermos na fidelidade à Tradição é querer descer da Cruz que recomendamos que seja beijada naquele Dia que o Senhor fundou porque morreu por nós. Ele agora vive, para que também saibamos morrer para nós próprios (também as instituições o saibam fazer…) para vivermos eternamente como o Ressuscitado!

[Oração] Sal 117 (118)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo