Publicado em Lectio Humana-Divina

No caminho de Jerusalém, a subida é em segredo e o planalto em alta-voz

[Leitura] Sab 2, 1a. 12-22; Jo 7, 1-2. 10. 25-30

[Meditação] O tema do Evangelho de hoje é típico de uma “Liturgia da Palavra” que precede a “Liturgia Pascal”. A subida para Jerusalém é feita por Jesus com a máxima discrição, não porque tenha medo dos judeus, mas porque não quer que prejudiquem a sua missão. Os que se cruzam com Ele no caminho “mandam piropos” suficientes que o poderiam levar a desistir deste “fardo” humano. Já no “planalto” do Templo, Jesus não se escusa à pregação direta, em alta-voz. Na verdade, foi para isso que veio e fá-lo no coração da religiosidade judaica.

É assim, também, a experiência de quem, querendo levar à prática um projeto de vida, se coloca num caminho de formação. Dou o exemplo dos jovens que estão a fazer a formação inicial para virem a ser padres. Fazem-no na discrição, pois são muito raras as pessoas que sabem com atualidade e profundidade como se atua esta formação específica. No entanto, no caminho não falta quem os possa desviar. Menos mal que, depois de serem “tirados” ao convívio familiar, são gradualmente inseridos no campo pastoral onde terão que, também gradualmente, ser anunciadores do Reino com a isenção do protagonismo humano que contraria a lógica de Deus. Sem esta discrição, toda a formação ficaria retida em objetivos de pouco alcance.

Uma vez no “planalto” da existência, cada vocação tem uma missão que já não pode ser escondida, pois «não se pode esconder uma lâmpada debaixo da cama». Também já não se pode voltar atrás no tempo da formação acontecida, correndo o risco dos discípulos de Emaús na regressão à casa materna. E é por causa destes que o Ressuscitado continua a precisar de quem dedique tempo aos que desanimam, para que, intercetados por uma presença significativa, continuem o trajeto amor traçado pela providência divina para cada pessoa. Não admira, portando, que uma das conclusões mais centrais do simpósio europeu promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) seja o acompanhamento dos jovens. Portanto, menos “montanhas” de atividades e mais subidas a “planaltos” onde se proporcione aquele encontro não fatídico, mas promissor de verdadeira felicidade!

[Oração] Sal 33 (34)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu