O “mas” do terceiro dia requer pensamentos e ações secundados pelo amor

[Leitura] Jr 18,18-20; Mt 20,17-28

[Meditação] Cá está! Mal Jesus acaba de falar de serviço humilde (proclamação de ontem) e os Boanerges já querem o contrário: sentar-se naquele trono de Moisés, não tendo percebido ainda (e sua mãe muito menos) o que Jesus lhes pedia que anunciassem (contido na proclamação de hoje) sobre o ser-se grande no serviço.

Na verdade, dar conta que há um “mas” referente ao terceiro dia, contrastante com os acontecimentos que o antecedem, é como considerar que há sempre, se o procurarmos, um “segundo pensamento” sobre Deus, referido pelo teólogo Tomás Halík em Quero que tu sejas! (Paulinas 2016). Este também contrasta com o primeiro pensamento, porque nos chama à atenção para a relação adequada a adotar com o verdadeiro Deus, não sacrificando o/quem não se deve,  como ia sendo, no A.T., o caso de Abraão em relação ao seu filho Isaac. Na cena evangélica de hoje, aquela mãe, mesmo que bem intensionada, estava a pedir a Jesus que sacrificasse a comunhão entre os apóstolos (a notar pela consequência real da discussão gerada) em favor do enaltecimento dos seus dois filhos.

É a partir daqui que pode encontrar uma nova compreensão o ditado antigo “de boas intenções está o inferno cheio”: de facto, este mundo, por vezes experimentado como verdadeiro inferno por alguns, também se vociferam muitas “boas” intenções a querer manipular o céu, quando este, segundo aquele teólogo citado acima diz que nem está fora deste mundo (heterónomo), nem na sua superfície (autónomo), mas no seu núcleo mais profundo onde somos chamados a deixar imperar a lógica do amor de Deus no serviço humilde aos outros (teónomo) que é também o centro da mensagem de Jesus, frente a todo o tipo de religião fundamentalista (que nega o fundamento), porque meramente centrada nos desejos humanos.

[Oração] Sl 31(30)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo