A cruz salvífica não é fardo de leis que humilham, mas serviço humilde que exalta

[Leitura] Is 1, 10. 16-20; Mt 23, 1-12

[Meditação] É muito fácil também para nós cristãos sentarmo-nos na cadeira de Moisés, pensando imitar Jesus com todo o rigor  um estilo que, frequentemente, não passa de palavreado. Perspetivamos a Cruz de Cristo e, consequentemente, a cruz pessoal como um “facho” de obrigações sem as quais pensamos a salvação não existir. Tapamos o “sol” da Ressurreição com a “peneira” da presunção de ser salvos.

A vida de Jesus não nos demonstra Ele ter-se “sentado” nessa “cadeira”, não porque a tenha revogado (cf. Mt 5, 17), mas porque a sua missão era completar o seu desígnio profético naquela Cruz onde Ele mesmo provou ser o Salvador de toda a humanidade, com o único sacrifício que salva e sem o qual podemos aceder ao Pai. Por isso, para além de toda a presunção, o objetivo da vida cristã é DEIXARMO-NOS SALVAR pelo Filho bem-amado do Pai.

A dimensão do SERVIÇO é aquela que, ainda que implicando sacrifícios de diversa ordem, pode assemelhar a nossa vida à de Cristo, permitindo-nos não nos ocuparmos muito com as expetativas  do “status quo” de títulos ou carreiras, mas de percorrer os caminhos que nos aproximam dos espaços e, sobretudo, das pessoas nas quais Ele Se esconde como apelo de ação coerente. Por isso, vigiemos se, na verdade, a nossa oração e o nosso jejum vão dar à partilha (esmola) para que a nossa quaresma possa efetivamente chegar ao encontro pascal com o Senhor.

[Oração] Sal 49 (50)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo