Publicado em Lectio Humana-Divina

Se o coração quer ser feliz para sempre, porque é que alguns dos seus portadores só querem ser felizes aqui?

[Leitura] Sir 15, 16-21 (15-20); 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37

[Meditação] A felicidade plena não depende meramente da mediação propulsora, mas sobretudo da atração libertadora. Parece-me ser a síntese da antropologia teológica presente na liturgia da Palavra deste domingo.

A vocação cristã desde o Batismo e a escolha de uma vocação de consagração permitem à pessoa viver os valores do Evangelho de Jesus que supera toda a lei. Se passamos meramente a vida a cumprir leis, somos empregados e não filhos/filhas, irmãos/irmãs, pais/mães, esposos/esposas, consagrados/consagradas. A vocação completa é o que nos permite aceitar a plena justiça que Deus exerce na nossa vida. Não somos meros cumpridores, somos filhos!

O ser humano é habitado por três fatores que o ajudam a ser feliz:

1º A liberdade humana de fazer escolhas (primeira leitura), uma vez que Deus não obriga a isto ou aquilo, mas coloca diante de cada ser as opções para que cada um possa exercer a sua liberdade. A felicidade de alguém não é uma coerção desonesta para fins de outrem.

2º A sabedoria divina que pede respostas (segunda leitura), que é um dom do Deus que é Pai para ajudar cada pessoa a fazer escolhas sábias.

3º A presença amiga de Jesus Cristo (evangelho) que nos leva a descobrir que a coerência entre a liberdade humana e a sabedoria divina compensa sobre o mero cumprimento de leis. A lei de Deus, ou seja, a Sua justiça, é que sejamos felizes segundo a sua Vontade. Só a plenitude é que nos pode configurar com esta vontade, vivida em crescendo na experiência histórica terrena.

Na verdade, na história vocacional de todas as pessoas há um antigo e um novo testamento: andamos uma parte da história a fazer o que nos mandaram fazer e outra parte (penso que a mais feliz) a fazer escolhas pessoais que são fruto do discernimento da vontade sábia de Deus em nós. Uma vocação de consagração assenta na abertura ao novo testamento, sem ignorar que tivemos uma história anterior e agradecendo o que herdámos dos nossos familiares.

[Oração] Sal 118 (119)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu