Na nova criação, é a luz de Cristo que preside ao dia e nos assiste na noite

[Leitura] Gen 1, 1-19; Mc 6, 53-56

[Meditação] A tradição sacerdotal legou-nos o relato da criação que começámos a escutar hoje, marcadamente influenciado pela administração espiritual do tempo que os seu autores sagrados viviam. Este texto não é só uma informação como eles ritmavam a vida, mas também uma inspiração sobre como podemos contemplar e lidar melhor com o que existe à nossa volta.

Estaria de dia, quando alguns reconheceram Jesus ao aportar em Genesaré, o que nos prova a sua sensibilidade especial para a Sua presença. E a reação à mesma, pela notícia rápida que se divulgou entre casarios, cidades e aldeias, mostra-nos também a sensibilidade àqueles que precisavam de o ver e, sobretudo, de O tocar. Por isso, mal Ele entrasse nesses lugares, os doentes eram imediatamente postos nas praças.

Jesus não Se esconde na casa de um anfitrião a retribuir a simpatia, nem se põe a «falar entre os doutores» como aos doze anos, nalgum templo. Ele caminha entre o dia daqueles que saudavelmente O reconhecem e os que sofrem a noite das enfermidades. E nesta “orla” da nova criação deixa-Se tocar, para que se faça a “obra de restauro” daquelas vidas que a doença teima destruir.

Hoje, diante do exemplo de Jesus e daqueles que O reconhecem e O acolhem com a súplica pelos mais fracos, pergunto-me o que significa, na Igreja, a “presidência” e a “assistência”. E, continuando a ouvir as parábolas do domingo passado, suspeito que a Luz de Cristo tenha que ver com a primeira e o Sal dos Cristãos tenha que ver com a segunda. Presidir é, antes de tudo, saber reconhecer a presença do Bom Pastor que salva; assistir é, mais que tudo, aproximar a vida dos outros, mais ou menos atribulada, do Seu manto, salgando-a com a súplica e a bênção.

[Oração] Sal 103 (104)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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