Publicado em Lectio Humana-Divina

Aliança Nova, ESPIrituais novos

[Leitura] Hebr 5, 1-10; Mc 2, 18-22

[Meditação] A interpretação que frequentemente se faz do episódio evangélico de hoje é a de que enquanto Jesus estiver com os seus discípulos não jejuam, jejuando quando, após a Sua morte, já terão de jejuar. Na verdade, o jejum continua a ser um rito proposto pela Igreja, sobretudo, no tempo litúrgico da Quaresma. E ainda que compreendamos que o espírito com que nos é proposto o jejum não é o mesmo com que era vivido pelos judeus (o Espírito, de facto, ainda não tinha descido aos homens como quando desceu no Jordão sobre Jesus), na verdade, as metáforas que Jesus utiliza (noivo, pano, vinho e odres) levam-nos a alargar o sentido do jejum para a relativização (não anulação!) dos velhos ritos, para que a novidade que Ele propõe aos seus discípulos não estrague a memória do que Deus foi realizando nas diversas etapas históricas do Povo, através dos profetas. É como se Jesus nos dissesse: não façam remendos para compor; guardem as vestes antigas; não tenham medo de vestir novas vestes; ou: para cada ambiente, seu vestido!

Passados dois mil e dezasseis anos, por vezes, ainda nos vemos em apuros sobre a relação entre algumas tradições religiosas (pelas quais os homens procuram ligar a Deus) e a proposta da fé que, através do Evangelho e do Magistério da Igreja, Aquele que é sua Cabeça e Pastor inspira um caminho inédito para a realização do Reino. Já a relação entre a piedade popular e a liturgia costuma ser um ponto de encontro saudável, de um enriquecimento mútuo que confere aos ritos desta a força devocional daquela (ainda que com floreados de ritualismos e devocionismos). Fora este âmbito, por exemplo, na dimensão profética e na dimensão social, não raras vezes, imperam ora fanatismos ora socialismos, que impedem a Igreja de ser aquela Esposa bem vestida (com um pano novo) como o seu Noivo merece.

Apesar de já ter sido remendado por causa do incêndio que sofreu, sabemos que pano com o qual envolveram o corpo de Jesus, na sua sepultura, era novo. Um pano novo para uma nova aliança, assim como o sepulcro era novo. Porque não, também, uma nova história, feita de rituais novos, para homens novos?! Assim a Igreja procura propor, na fidelidade ao Evangelho.

[Oração] Sal 109 (110)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu