A abertura do “teto” do coração é requerida para uma vida nova

[Leitura] Hebr 4, 1-5. 11; Mc 2, 1-12

[Meditação] Costuma-se dizer que se tem um “bom teto” quando se tem segurança económica ou humana que abrem possibilidades para se desenvolver um bom projeto. No caso da salvação que Jesus propõe, aquele “teto” pode ser mesmo fraco, contando que o coração humano seja suficientemente forte para se abrir à possibilidade de uma vida totalmente nova.

Para além das parábolas que Jesus contou, os evangelhos estão cheios de narrações de circunstâncias que, se estivermos atentos, servem de metáforas que nos ajudam a abrir os olhos para a amplitude da realidade que somos convidados a aprender a habitar. Uma dessas narrações é que, hoje, nos ajuda a compreender melhor que a verdadeira paralisia é a do coração que não quer mudar de mentalidade (compreendendo este, dentro da cultura hebreia, como centro decisional). Assim, para além do paralítico, Jesus vê outros “paralíticos” do coração que não querem aceitar que o Filho do homem possa perdoar os pecados. Os que não aceitam a novidade com que Jesus salva nunca serão capazes de quebrar protocolos para Lhe levar as doenças que Ele pode curar. De facto, há respeitos humanos que nunca ajudarão a descobrir o surpreendente poder de Deus.

Parecidos com os escribas, paradoxalmente, são aqueles que dizem, por exemplo, que se confessam diretamente a Deus. De facto, Jesus é Deus! E os que Ele deixou como mediadores da Sua graça, não sendo Deus, representam-n’O, para perpetuar as suas palavras e ações enquanto for preciso. O Ressuscitado está ou não está muito à frente, com a novidade que nos deixou nos sacramentos como meios de salvação? Os que ignoram ou contestam estas ações divinas mediatizadas por homens é que são como aqueles escribas: vêm blasfémias onde elas não existem, autoexcluindo-se do repouso prometido por Deus.

[Oração] Sal 77 (78)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo