Publicado em Lectio Humana-Divina

A Luz do Natal manifesta-se como chama para as “olimpíadas” da Páscoa

[Leitura] Is 60, 1-6; Ef 3, 2-3a. 5-6; Mt 2, 1-12

[Meditação] A manifestação do Salvador é uma Luz que se esconde no coração de cada ser humano e se celebra solenemente na Liturgia dos crentes que O procuram. Esta Luz que Simeão esperou tanto tempo dentro do templo não se deixa permanecer ali oculta, mas revela-se a todos aqueles que, representados nos Magos, a procuram desde todas as latitudes da experiência humana. Simeão e os Magos enquadram-se na caracterização que, com a ajuda de Tomás Halík, se pode fazer da experiência cristã: o mundo não se divide entre crentes e não crentes, mas entre os que procuram e os que habitam.

Olhando para as leituras desta solenidade, reparamos que Jerusalém estava destinada a ser “tocha” para esta Luz. No entanto, por causa do adormecimento humano e do poder ali instalado, Deus resolve começar as “olimpíadas” da Páscoa de um modo surpreendente que implica, ao mesmo tempo, um esforço “atlético”, não na perspetiva desportista, mas na forma de caminho interior da busca da Verdade. O Papa Francisco, na sua homilia da Epifania, diz que faz este caminho quem sente nostalgia de Deus que nos permite manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida:

A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos. A nostalgia de Deus tem as suas raízes no passado, mas não se detém lá: vai à procura do futuro. Impelido pela sua fé, o crente «nostálgico» vai à procura de Deus, como os Magos, nos lugares mais recônditos da história, pois está seguro, em seu coração, de que lá o espera o seu Senhor. Vai à periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados.

O Pontífice sublinha, também, que é pondo-nos a caminho que podemos ver a estrela que para sobre o lugar onde se esconde esta Luz divina que provoca e esclarece o sentido da vida para aqueles que a procuram. Entendo assim o caminho de descoberta vocacional que a Pastoral Diocesana das Vocações procura “semear” no campo que é uma paróquia, não como quem vem injetar algo de fora como se a vocação fosse um trangénico, mas como quem vem ajudar a acalorar a perspetiva da procura vocacional que já está semeada dentro de cada um e de cada uma das crianças, adolescentes e jovens por Deus. Para que a Luz de Deus em cada um não fique escondida no santuário interior, mas possibilite, como descreve Paulo aos Efésios, a que todos possam receber a mesma herança e possam pertencer ao mesmo Corpo, participar da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho. Para que isso aconteça, por vezes é preciso, como os Magos uma vez esclarecidos que o Rei não nascera num palácio, tomam outra direção, quer na busca, quer no regresso. Também a descoberta da vocação é este caminho difícil mas necessário a fazer entre Jerusalém a Belém, não para se regressar meramente à memória passado, mas para se descobrir a verdade que permitirá viajar novamente até à Jerusalém onde, na forma de entrega virtuosa, decorrem as “olimpíadas” da Páscoa para a verdadeira transformação da humanidade.

[Oração] Sal 71 (72)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu