Publicado em Lectio Humana-Divina

Advento II – A ponte da esperança entre a paciência do deserto e a consolação do encontro

[Leitura] Is 11, 1-10; Rom 15, 4-9; Mt 3, 1-12

[Meditação] «Arrependei-vos, porque está perto o Reino dos céus», «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas», «O machado já está posto à raiz das árvores… todas a árvore que não dá fruto…», «Eu batizo-vos na água, mas Aquele que vem depois de mim… batizar-vos-á no Espírito Santo» — são expressões da pregação de João Batista no deserto. No relato de Mateus, este «último profeta» é, sobretudo, um pregador da conversão necessária para que nos possamos predispor a entrar no caminho novo aberto por Jesus. O próprio Batista procurou esses caminho novo fugindo à autoridade de Roma, aos legalismos dos fariseus e aos barulhos do Templo. Essa predisposição pode acontecer com alguns “passos preliminares”, próprio da atitude de liberdade de que quem deseja e procura o encontro com Deus Pai. Ei-los:

1º passo — Procurar o deserto para se estar e conhecer a si mesmo, profundamente. É do interior de cada um que brotam as perguntas fundamentais sobre o mistério da vida humana e sobre o mistério de Deus que lhe diz respeito com Autor primeiro.

2º passo — Desapegar-se do que é material, relativizando o supérfluo que leva a relativizar, inversamente, o que é fundamental.

3º passo — Moderar os apetites e os desejos que não conduzem nitidamente ao caminho de Deus, que, habitualmente, estão à flor da pele a picar-nos e a “exigir” que os saciemos para que acabe a “comichão” da auto-comiseração.

4ª passo — Apreciar a interioridade, sem nos determos nos detalhes da imagem que se procura edificar, por vezes desesperadamente e a caro preço, por fora.

5º passo — Concentrar-se no essencial da vida e missão, na relação com os outros, na família, no trabalho e na comunidade, sem querer, também, fazer tudo ou assistir a todos ao mesmo tempo, mas àqueles ou àquilo a que Deus, pelo seu Espírito, nos assinalar.

O tempo do Advento é favorável para se recuperar o caminho que leva ao encontro com o Deus bondoso e compassivo de Jesus Cristo. Entremos no deserto com a chave da conversão, sem medo, dando passos simples, mas coerentes, para atravessarmos esta “ponte” da esperança que nos leva ao encontro consolador com o Emanuel que nos relevou o rosto de Deus e que, nas necessidades dos irmãos, tem algo a oferecer a partir de cada um de nós.

[Oração] Sal 71 (72)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu