Publicado em Lectio Humana-Divina

O verdadeiro Templo vai ao templo

[Leitura] Ap 10, 8-11; Lc 19, 45-48

[Meditação] Quantas vezes os cristãos — e no grupo destes um número considerável de católicos — se esquecem da presença eucarística de Jesus dentro das igrejas, dando primazia à Sua Presença real e à Sua Palavra, por pressuposto, devidamente destacada? Frequentemente, se dirigem diretamente ao santo da devoção particular para satisfazer o “contrato de promessa” de uma vida, muitas, distante d’Aquele que está sempre perto, mais ainda do que os santos da nossa devoção (quando muito, estes abrirão a porta para a relação fundamental e plenificante!).

Jesus, depois de chorar sobre Jerusalém, pelo facto de não O reconhecer como o verdadeiro Messias, não fica encostado nos seus muros a lamentar. O que realizou até e dentro de Jericó merecia mais, que levasse a efeito tudo, a levar a palavra escrita à sua prática mais radical. Só desta forma é que se justifica que uma alma entra num corpo inerte e ou desorganizado: para de dar ânimo e vida verdadeira. é assim que se pode compreender a atitude de Jesus dentro do templo de Jerusalém, contrariamente ao que os príncipes dos sacerdotes e doutores da lei  faziam. Os cristãos não devem ser como estes, porque, dentro do templo, eles não guardavam nada; os cristãos, depois que Jesus é o verdadeiro Templo, são chamados a guardar Tudo e a guardar-se como Templos do Seu Espírito.

Tinha razão, por isso, Karl Rahner, que prognosticava este milénio como um tempo em que a mística teria que liderar a vida da humanidade, para que houvesse verdadeiros cristãos. Para isso, no meio dos espaços e afazeres do mundo, quer-se que se criem espaços e ambientes onde se respire a gratuidade do encontro com a Palavra e os Gestos de Jesus. Podemos (re)começar por revalorizar a preparação e a realização dos Sacramentos… o resto será consequente!

[Oração] Sal 118 (119)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu