Publicado em Lectio Humana-Divina

A caridade é “em saída” quando o estrangeiro a testemunha

[Leitura] 3 Jo 5-8; Lc 18, 1-8

[Meditação] Deus não é comparável ao juiz iníquo no que toca à forma de lidar com o incómodo dos mais pequenos. Superlativa-Se, isso sim, quanto à justiça que é capaz de fazer em favor deles. Excede-se em amor concretizado no tempo e no espaço, acomodando-se às necessidades que Ele considera de deveras importantes. Não é como nós que, por vezes, somos exímios em cumprir o “dever material” na profissão, mas, depois, deixamos de fazer no concreto o verdadeiro dever de estar atentos aos verdadeiros problemas e de ajudar a compreender como resolvê-los.

A caridade é, antes de mais, uma relação. Ela aprende-se na oração, entendida como “ponte” entre o que se agradece e o que se suplica. Para que seja mais relação, a oração precisa de partir dos formulários que se aprendem para ser cada vez mais diálogo do coração para ser capaz de ser amado e de amar. Senão, Deus continuará a ser um “estrangeiro” desconhecido. Ele veio habitar no meio de nós em Jesus Cristo para isso: para falar a nossa linguagem e conhecer na própria carne os nossos problemas, para nos indicar um caminho. É a esse caminho que se refere o Apóstolo João ao falar daqueles que pede a Gaio para cuidar. O caminho que vai do paganismo e direção ao verdadeiro Deus tem de ser alimentado por uma relação de proximidade, para não regredir.

Talvez seja esta uma das formas de entendermos a insistência que Jesus nos pede para colocarmos na oração: para caminharmos de capazes a competentes, ou seja, de repetidores frios a colaboradores criativos do bem concreto que os outros precisam nas suas circunstâncias concretas. Por vezes, percebe-se a oração de muitos cristãos como um lamento de que faltam muitos padres para acompanhar as comunidades como se desejaria que elas fossem. A oração pode ser mais fecunda, do que geradora de lamentos estéreis. Pode agradecer-se a Deus o vazio humano, da falta de respostas, para que se perceba o quanto há que dar espaço à escuta atenta das verdadeiras necessidades dos jovens, que a sociedade está a “entupir” de propostas de entretenimento, cujos questionamentos são tentativas verdadeiras de se encontrar um lugar na sociedade e na Igreja. Rezemos ao Deus da misericórdia, única fonte de vocações, as necessárias… porque correspondidas no amor recebido, o mesmo amor a partilhar.

[Oração] Orações pelos Seminários:

Deus, Pai de misericórdia,
nós vos damos graças porque
nos esperais quando saímos de casa,
nos acolheis quando regressamos,
vos alegrais e fazeis festa quando perdoais.
Fazei dos seminários casas de misericórdia,
Comunidades de escuta e comunhão,
Escolas de fé, esperança, amor e serviço.
Deus, Pai de misericórdia, nós vos pedimos
Jovens disponíveis para o sacerdócio,
Seminaristas fiéis à graça do chamamento,
Famílias abertas ao amor,
Paróquias vivas na comunhão,
Padres felizes no ministério.
Por Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco,
na unidade do Espírito Santo.
Ámen
Ó Maria, Mãe de Misericórdia,
Dai-nos muitos e santos sacerdotes.
Ámen.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu