O primado dos mais frágeis acolhe no mesmo caminho todas as diferenças

[Leitura] Filip 2, 1-4; Lc 14, 12-14

[Meditação] O Papa Francisco partiu hoje para participar na comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante, na Suécia, um país hoje relatado pala Aura Miguel (representante da Rádio Renascença) como um lugar onde existe uma quase total indiferença. Adivinho a presença do Papa, neste encontro, não tanto para um lamento sobre as diferenças, mas para comungar naquilo que nos une: o cuidado para com os pobres e marginalizados, a quem Jesus dá a primazia. Neste primado, todas as diferenças podem encontrar-se e deixar-se tocar por Jesus que Se identifica com os mais frágeis.

No discurso anterior ao deste evangelho, proclamado no sábado passado, convidando os que tinham sido convidados pelo fariseu, certamente um banquete de amigos, Jesus propõe-lhes que devem escolher preferencialmente os primeiros lugares. Parece-me que Ele estava a preparar o discurso de hoje, em que reserva os primeiros lugares para aqueles que não podem retribuir nada. Em favor do anúncio do Reino de Seu Pai, Jesus quebra todos os protocolos humanos que não se confinem com ele.

Jesus atribuía-se a Si mesmo esta forma de ser e de estar quando declarou: «O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra» (Jo 4, 34). Portanto, não veio fundar uma religião em que se manda fazer o que não se consegue cumprir. Por isso, jamais a salvação poderia estar fundada em feitos humanos, mas apenas na infinita bondade de Deus Pai, que tudo fez em nosso favor até ao limite da doação do Seu próprio Filho.

[Oração] A Palavra torna-se Ação:

Senhor, quando eu tiver fome, dai-me alguém que precise de comida!
Quando tiver sede, dai-me alguém que precise de água.
Quando sentir frio, dai-me alguém que precise de ser aquecido.
Quando estiver ferido, dai-me alguém para consolar.
Quando a minha cruz se tornar pesada, dai-me a cruz do outro para partilhar.
Quando me achar pobre, conduzi-me a alguém necessitado.
Quando não tiver tempo, dai-me alguém que possa ajudar por um instante.
Quando sofrer uma humilhação, dai-me ocasião para elogiar alguém.
Quando estiver desencorajada, dai-me alguém para lhe dar novo ânimo.
Quando sentir necessidade da compreensão dos outros, dai-me alguém que
precise da minha.
Quando sentir necessidade de que cuidem de mim, dai-me alguém que
eu tenha de atender.
Quando pensar em mim mesma, voltai minha atenção para outra pessoa!
Tornai-nos dignos, Senhor, de servir os nossos irmãos que vivem e morrem
pobres e com fome, no mundo de hoje.
Dai-lhes, através das nossas mãos, o pão de cada dia, e dai-lhes, graças
ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.

— Santa Teresa de Calcutá

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo