Publicado em Lectio Humana-Divina

A Vida nasce na terra, mas o serviço da Cura vem do monte

[Leitura] Ef 2, 19-22; Lc 6, 12-19

[Meditação] Na ocasião em que emergem da terra algumas “ervas daninhas” que são as práticas de “halloween”, a Liturgia propõe-nos a Festa dos Apóstolos S. Simão Zelota e S. Judas Tadeu. Em alternativa ao chamamento dos Apóstolos à beira-mar, Lucas relata-nos Jesus a chamar os discípulos e, de entre eles, a escolher alguns para Apóstolos homens concretos. Esta escolha pressupõe a Sua oração ao Pai e é sucedida pela descida do monte para se deter numa planície onde os aguardam numerosos discípulos e uma grande multidão, onde se desenvolve a escuta da Palavra e o Sacramento da cura. Esta descida constituiu como um verdadeiro caminho da formação teórico-prática dos Apóstolos e, inversamente, um verdadeiro ritual da Eucaristia.

Prática desusada na Igreja?! Não!  Aí estão os Bispos, escolhidos de entre os Presbíteros pelo Pontífice de Cristo na terra, para serem convidados a descer às “planícies” da vida humana a espalhar a Boa Nova e a repetir os gestos que curam. É daqui que Jesus continua a chamar outros homens para serem Apóstolos e, a partir destes, a chamar outros homens para serem Presbíteros e Diáconos que se unem à sua missão. Prestes a celebrar a Semana dos Seminários, a Igreja é chamada a rezar, a contribuir e também a chamar jovens que tenham a coragem de se aproximar de Jesus para O escutar e O tocar. A cura de sentido é, hoje, urgente, quando no mundo muitas outras vozes colocam os jovens fora do “mapa” da salvação.

Ser “concidadãos dos santos e membros da família de Deus” implica este ir à “planície” onde Jesus desce com aqueles que escolheu para escutar a Palavra e experimentar os Gestos que salvam. Daqui se desenvolverão os desígnios que Deus reserva para cada um e cada uma. Assim, em vez de ganhar o “Hallow” (oco) ganha o “Holy” (Santo)! A abertura da diocese às etapas da experiência do Seminário (em Família, Vocacional e Pastoral) como que estão emersas num desconhecimento ou numa falta de abertura e aproximação. Este “monte” deixou de ser revisitado para que as comunidades coloquem “a jeito” os seus jovens para a escuta, cura e resposta. Há sinais de esperança: grupos escolares que, em vez de darem ouvidos ao “oco”, vêm visitar o Seminário para contemplar o espaço onde o mistério da vocação acontece.

É verdade que a origem do Halloween é All Hallows’ Eve, que significa véspera [do Dia de] Todos os Santos. Quem sabe a escuta da Palavra que cura possa chegar dos ouvidos da escuta à cura do coração para que se possa responder ao chamamento universal à santidade (cf. Lumen Gentium, cap. V).

[Oração] Sal 18

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu