A Palavra de Deus é o “manto” versátil do discípulo-missionário

[Leitura] 2 Tim 4, 9-17b; Lc 10, 1-9

[Meditação] Paulo estava com frio, não só porque lhe faltara o manto que tinha deixado na casa de Carpo, mas também pela frieza de alguns cuja lealdade estava a degradar-se. Para ultrapassar este segundo tipo de “baixa temperatura” não se esquece de pedir a Timóteo que se faça acompanhar por Marcos e que traga, também, os pergaminhos que tinha deixado junto do manto, em Tróade. Com este pedido, Paulo sabe que o aconchego da Palavra divina é como o de um manto que protege da frieza humana.

Lucas terá aprendido muito com este Apóstolo dos gentios que é capaz de colocar a vida em risco nestes vários tipos intempéries, por causa do anúncio do Evangelho. Entre cautelas e advertências, a partir da sua experiência, foi “aconchegando” os seus companheiros com o “manto” da Palavra, admoestando-os a cuidarem que o Evangelho não cessasse de ser proclamado, apesar das possíveis oposições ao mesmo e do abandono de alguns dos seus destinatários. No confronto com as adversidades, Paulo deve ter, também, sentido um apoio inigualável de Lucas, tanto a ouvir as suas recomendações de médico, quanto à misericórdia de Deus que invoca sobre os que lhe causam o mal.

É assim a Palavra de Deus: protege aquele que a guarda e não deixa de resplandecer o seu anúncio para quer para os sedentos, quer para os que a rejeitam. Estou a imaginar os setenta e dois discípulos a ser revestidos com este manto de paz e os missionários ad gentes de hoje a continuar a missão de Jesus, de pregar a Palavra do Amor de Deus a todos, até ao tempo da Jerusalém celeste.

[Oração] Sal 144

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo