Não se fecha no celeiro do tempo, a alma que se deve alimentar de eternidade

[Leitura] Ef 2, 1-10; Lc 12, 13-21

[Meditação] O Evangelho é, na prática, a descrição de tudo o que Jesus disse e fez naqueles três anos da sua vida pública, de forma que as parábolas que Ele foi contando serviram para descrever a realidade social do Seu tempo e para nos envolver numa nova lógica de vida. Portanto, não importa tanto a ordem cronológica dos factos, quanto a ligação que há entre eles e a lógica do Reino. Resulta daqui a contemporaneidade, não só entre os factos, como destes com o novo Reino que Jesus inaugurou.

Consequentemente, estou a contemplar a contemporaneidade da cena e parábola deste capítulo 12 de Lucas com a cena e parábola do capítulo 18 de proclamámos ontem. Imagino na viúva de ontem uma pessoa pobre que, sem poder pagar ao juiz iníquo, via a sua defesa ser adiada indefinidamente. Com uma certa probabilidade, depois da morte do seu marido, ficando reduzida à insignificância cultural, os seus bens terão ficado à mercê da arbitrariedade dos seus filhos, porventura, como o que na cena hoje proclamada foi pedir a Jesus que o ajudasse a obter do irmão a sua parte. Por azar, aquele não sabia que diante dele estava um representante da verdadeira justiça, que diapensa a defesa de bens não essenciais, sobretudo quando são bens obtidos à custa da indigência dos mais pobres.

A sentença não tarda: a insensatez vai custar-lhes a vida, por dimensionarem a mesma a celeiros de bens perecíveis, em vez de abrirem a porta à Graça salvífica que, longe de tal escravatura, levou aquela viúva a não desistir do Bem essencial a que tinha direito. Temos muito a aprender com ela, num mundo (e, porventura, numa Igreja) onde corremos o risco de andar ocupados na defesa de bens secundários, deixando na pura intenção o Bem que, na gratuidade para com os outros, realmente nos fará viver para sempre.

[Oração] Sal 99 (100)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo