Compaixão: a proximidade física que resolve a distância do olhar

[Leitura] Gal 1, 6-12; Lc 10, 25-37

[Meditação] É frequente insinuar-se que o contacto pessoal é muito mais importante do que qualquer outro tipo de mediação comunicativa, seja em que circunstância ou para que finalidade for. No caminho para a vida eterna, o canal mais eficaz é o “fazer-se próximo” dos que estão mais afastados dele.

Estou convicto de que a defesa do verdadeiro Evangelho que o Apóstolo Paulo faz como advertência aos Gálatas se refere ao Evangelho vivo, transcrito em boas obras de compaixão em favor dos atribulados e dos pecadores. O Evangelho como doutrina sem prática seria, para Paulo, uma heresia a rejeitar como nociva à vida dos cristãos. Estaria, certamente, a defendê-los daqueles mirones neo-fariseus que tudo criticam desde o olhar sobranceiro de quem tudo parece saber sem praticar. Na verdade, não sabem a experiência do bem, como nem sequer a do mal e o caminho que vai para a eternidade, que conhece estes dois tipos de paisagem, “passa-lhes ao lado”! Seriam como aquele “meio morto” da parábola se se achassem objeto de compaixão. Assim, são só seres meio-vivos. Só lhes pode valer Deus!

Conforme a escuridão é só ausência de luz, o sofrimento de alguns é ausência da indiferença de outros. Esta é uma doença oftálmica do coração humano que podemos comparar ao astigmatismo, o distúrbio ocular diagnosticado como uma qualidade visual desigual consoante o eixo visual em causa, resultante de uma curvatura desigual da córnea provocando uma visão distorcionada. Dela podem ocorrer defeitos refrativos como os da mudança de marcha que leva a desviar de um objeto por falta de uma boa visão. Conforme aprendemos neste último domingo, esta requer-se para a esperança vivida através de uma fidelidade ativa.

[Oração] Sal 110 (111)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo