Onde se cava túmulos, Jesus pode abrir tesouros!

[Leitura] Job 3, 1-3. 11-17. 20-23; Lc 9, 51-56

[Meditação] Enquanto o ser humano não constatar que «foi concebido o Homem-Deus», corre o risco de se ver tentado a amaldiçoar o dia do seu próprio nascimento, como Job em dia de desespero. Da mesma forma, enquanto o Homem não encontrar Aquele que pode dar verdadeiro sentido à sua vida, pode ver-se lançado à “arena” do mundo onde as feras o cercam para atentar contra a sua vida. Uns, desesperados pela situação em que se encontram, desejam a morte; outros, presunçosos de ser donos de tudo e de todos, cavam os túmulos onde querem ver fechados aqueles cujo lucro lhes parece ser só incómodos.

Aí… onde parece que a morte é desejada ou provocada, Jesus pode abrir o caminho que leva a descobrir o tesouro da vida eterna. À beira dos males do mundo, todos os nascimento parecem inúteis. À luz do nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus, todos os nascimentos fazem sentido, porque é Deus que dá a vida, mesmo que seja para ser vivida na “cerca” deste mundo e que nem sempre se veja o caminho. Também Jesus, desde o Seu nascimento até aos últimos dias da Sua vida terrena, conheceu obstáculos, mas fez deles uma oportunidade para a revelação de um caminho de vida surpreendente, quando os “filhos do trovão” Lhe propunham cavar mais fossos de morte.

A “outra povoação” é o lugar a procurar sempre que o acolhimento da vida não acontecer, até que cheguemos à pátria definitiva. É, também, o espaço humano e geográfico onde se pode fazer da vida uma resposta vocacional, como foi a de São Vicente de Paulo, entre os séculos XVI e XVII, transpondo obstáculos com a ousadia do anúncio da mensagem de Jesus Cristo, lá onde os hábitos humanos não coincidiam com o Seu projeto, e com a urgente prática da caridade em favor dos pobres.

[Oração] Sal 87 (88)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo