Publicado em Lectio Humana-Divina

Demos ouvidos a Jesus que está no pobre!

[Leitura] Am 6, 1a. 4-7; 1 Tim 6, 11-16; Lc 16, 19-31

[Meditação] «Lázaro», do hebraico «Eliezer» é um nome com o significado positivo “Deus socorreu” ou “Deus ajudou”, dado a uma pessoa ajudada, abençoada ou glorificada pelo Senhor. É curioso que Jesus, como o profeta Amós ao evocar José, tenha dado um nome ao pobre Lázaro, dignificando a sua existência concreta. Ao rico, deixa-o ficar sem nome, para demonstrar que quem o é injustamente tem a sorte de ser deportado para o exílio do esquecimento.

A lição deste Domingo é clara: é insuportável a má riqueza de quem não se aflige com a mísera pobreza dos outros. Mas… será assim tão evidente encontrar um caminho que nos leve a sair da indiferença? É muito fácil de se cair em excentricidades, quando alguém ganha uns tostões a mais. Dá até a impressão que assim não custa a ganhar, na forma como rápido se gasta no conforto. Este ciclo vicioso de ganhar-gastar facilmente, para além de ser injusto, é criador de muros que fazem do pobre um ser invisível aos olhos de tais ricos.

Uma vez que Deus, em Jesus Cristo, Se identifica com os mais pobres, ao ser criado esse muro que separa pela parte dos ricos egosístas, estes acabam por não ser vistos por Deus, uma vez que o seu coração é um cofre forte fechado a sete chaves. O Papa Francsico advertiu desta maneira:

A parábola alerta de maneira clara: a misericórdia de Deus por nós está vinculada à nossa misericórdia pelo próximo; quando esta falta, também aquela não encontra espaço no nosso coração fechado, não pode entrar. Se eu não escancarar a porta do meu coração ao pobre, aquela porta permanece fechada. Inclusive para Deus. E isto é terrível!

— PAPA FRANCISCO, Audiência de 18 de maior de 2016

Sigamos a recomendação do Apóstolo Paulo: guardemos o mandamento do Senhor, não fechado a “sete chaves”, mas com o cumprimento da «justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão». Quando a caridade é verdadeira, aí habita Deus!

Ler outro post sobre o mesmo Evangelho: Os portões (in)transponíveis entre os “pobres ricos” e os “ricos pobres”

[Oração] Sal 145 (146)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu