Publicado em Lectio Humana-Divina

A Palavra é (pois) para entrar por um ouvido (passar pelo coração) e sair (em favor) pelo outro

[Leitura]  Prov 3, 27-34; Lc 8, 16-18

[Meditação] Antes de Jesus falar da importância de não escondermos a luz da sua Palavra e a traduzirmos em boas obras, Ele explicou a parábola das sementes. De facto, apesar de nem todas as sementes da Palavra caírem em boa terra, que sentido faz a que caiu em boa terra e deu fruto ficar fechada num círculo diminuto? É uma frustração. Ciao! Esta situação da Palavra em potência para frutificar sem ser partilhada faz-me lembrar as situações de aborto. Quantos “abortos” em relação à Palavra quando os seus frutos não são partilhados, mas ficam na “dispensa” de uns tantos! É assim que acontece, frequentemente, nesta Europa que não nos deixa ver decisões vocacionais ou ministeriais concretas das famílias cristãs ditas “praticantes”…

A contemplação que fazemos da forma como os que praticam vivem os valores cristãos mostra-nos a forma como escutam a Palavra e agem perante a mesma: ou a guardam escondida/enterrada, com medo, até o Senhor voltar, ou a fazem render, arriscando a vida no mundo, em favor dos outros.  Interessa, pois, «a maneira como ouvis»!

«Aquele que tem», a quem Jesus diz que «dar-se-á» mais, é o que tem o coração bem ligado aos ouvidos, capaz de não ser indiferente ao que acolhe na Palavra de cada dia (ou do domingo). «Aquele que não tem» ou «o que julga ter» é o que faz ouvidos moucos, fazendo com que o que lhe é dito, como o povo diz, “entre por um ouvido e saia pelo outro”. Na verdade, o que o coração não fizer recordar, nem sequer a mente se lembrará de atuar. E nem sequer se tem o que, na realidade, nunca se valorizou.

Pois, é tempo de valorizar a Lectio Divina a partir de uma contemplação mais atenta da vida humana (Lectio Humana), uma vez que a Palavra de Deus é “espelho” onde se reflete tudo o que é próprio do Homem e, ao mesmo tempo, “janela” aberta sobre um mundo novo e o Reino que se avizinha, quando se põe a Palavra em prática. Dizia Santo António que «é viva a Palavra quando são as obras que falam». Vamos a isso!

[Oração] Sal 14 (15)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu