Para administrar bem a vida? Um só Senhor, uma só Fé e um só Batismo!

[Leitura] Am 8, 4-7; 1 Tm 2, 1-8; Lc 16, 1-13

[Meditação] De facto, o perigo de servir o deus do dinheiro é abismal na cultura do capitalismo em que vivemos imersos. E nem mesmo a tentativa de viver no desprendimento é isenta de dúvidas na percentagem do que se deve pedir ao rentabilizar os bens que se administram. A tendência está à vista na existência de offshores governadas na sombra de uma política corrupta. Os pobres acabam sempre por ser os mais prejudicados.

Deus, o protetor dos pobres e humildes, não dorme e é de uma justiça inabalável. O deus do dinheiro, que teima em competir com O que dá a verdadeira prosperidade, manipula as consciências a partir de ambições curtas, apesar de obrigar a gastar muito tempo e largas energias. É surpreendente a quantidade de recursos e os tempos livres que se reservam para atividades lucrativas, em detrimento da atenção que se poderia dar Àquele que nos pode dar tudo o que realmente precisamos. Por outro lado, o mais triste, quantos pobres deixam de ter o que é mais básico para viver, para que uns tantos tenham o que nunca irão ter tempo para consumir.

Desmanchemos o enigma: o homem rico da parábola de Jesus não tem nada a ver com o Senhor que deixa os seus servos a cuidar dos seus bens noutras parábolas (cf. p.ex. Lc 12, 41ss). O que lhe é devido por parte dos devedores talvez seja uma conta injusta, uma vez que se trata de bens essenciais como o azeite e o trigo. Não admira que a simpatia dos devedores possa, segundo Jesus, fazer entrar «nas moradas eternas» aqueles que os poupam de tal injustiça, mesmo como consequência de uma má administração. Talvez seja, também, por isso que o Papa Francisco preferia que as Igrejas tivessem maus administradores, para que se perdesse todo o dinheiro de que as comunidades não precisam para exercer a sua essencial missão. É esta a “coisa pequena” que, germinando com a fidelidade, se pode tornar na grandiosidade do Reino, assim como se formos cuidadosos com o que é, por justiça, dos outros, também teremos acesso ao que é devido a nós próprios. Ser-se esperto pode valer a alguém a compaixão dos outros, mas obter a sabedoria eterna implica dar ouvidos a um só Mediador, Jesus Cristo, caminhando à luz de uma só Fé e praticando os valores de um só Batismo.

[Oração] Sal 112 (113); 1 Tm 2,1-2: fazer «preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades, para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade».

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo