Publicado em Lectio Humana-Divina

Revivemos hoje, quando amamos a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos

[Leitura] Ez 37, 1-14; Mt 22, 34-40

[Meditação] Conforme a educação cristã que recebemos, podemos correr o risco de observar unilateralmente o conteúdo do Evangelho hoje proclamado: amar o Senhor Deus com todo o coração, alma e espírito, e amar o próximo como a nós mesmos. Pode haver quem pense que este mandamento é um mero objeto de cumprimento, quando poderá ser um princípio de vida nova que já se pode experimentar neste mundo. Amar a Deus e ao próximo é, já, forma de reviver.

Não será que a reevangelização tão necessitada na Europa também será a uma resposta plural a uma tradição unilateral de vida cristã, exageradamente assente num sacramentalismo sem prévia profecia e de cumprimento de tradições culturais sem avaliação da objetividade do dever (muitas vezes mais perante a subjetividade própria e dos homens do que diante de Deus)? Na primeira leitura, damos conta como Deus demonstra a Ezequiel o seu poder de dar a vida aos ossos ressequidos mediante a tarefa da profecia diante dos escombros da morte.

A provocação farisaica do episódio evangélico de hoje surge como reação ao facto de Jesus ter calado os saduceus sobre a ressurreição dos mortos, demonstrando-lhes saber como é a vida nova do Reino e dos sinais que a declaram na história do Povo de Deus. Pergunto: não será que a nossa prática da fé cristã, por causa da carga legalista em que tem estado enclausurada (por uma visão unilateral do Evangelho), tem-se negado a vislumbrar a novidade que está por detrás do que vemos, manifestando a coragem de uma aproximação de quem sofre, lá onde uma fé de mero cumprimento (fundamentalista, apoiado somente em códigos) nos limita as pernas enferrujas pelo medo. Um caso real destes dias é a falta de aproximação política e humanitária de Alepo, onde continuam pequeninos a perder a esperança de vida por causa do mal causado por aqueles que, no fundo, já a perderam há muito.

[Oração] Sal 106 (107)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu