Publicado em Lectio Humana-Divina

Vontade de Deus, a textura que nunca passa de moda para a veste do Reino

[Leitura] Ez 36, 23-28; Mt 22, 1-14

[Meditação] Se o ser humano não fizer por aceitar o convite a entrar no banquete do Reino, quer dizer, por acolher a sua forma eterna de viver, pelo menos, fará Deus a sua parte. Como é “de Deus”, no Reino vigora a sua vontade salvífica. A parábola de Jesus demonstra a paciência de Deus, o seu respeito para com a liberdade humana e a sua firmeza quanto à pedagogia da gradualidade. Não vale a pena andarmos com rodeios e com modas: no final, é o Batismo bem vivido na prática que conta, no amor com que se viveu o estado de vida, pessoal e comunitariamente.

Até certos partidarismos, a certa altura, se não se retiram como os andaimes, serão incapazes de ajudar, possuindo para além da vocação essencial que é a da Santidade (vocação universal). Pelo contrário, Jesus fez tomar parte os pobres e pecadores, indiscriminadamente, para nos demonstrar como até eles, na sua indigência material e moral, eram capazes de aderir à única Vontade que salva, a do Amor infinito de Deus. Todos os instrumentos de que o Espírito Santo se serve, na Igreja, representam o esforço de Deus, feito pela via imanente (desde “baixo”) para nos atrair ao caminho de felicidade plena.

Não foi ao acaso que a Congregação para a Doutrina da Fé publicou recentemente o documento “Iuvenescit Ecclesia” sobre a relação entre os dons hierárquicos e carismáticos para a vida e missão da Igreja. Suponho que seja para trazer algum equilíbrio à confusão institucional que reina “às portas” do banquete celeste, nas várias texturas com que, por vezes, se quer propor (ou impor!) a veste nupcial. Muitas vezes, o que se percebe dessa confusão, à primeira vista é o postulado “confundir para reinar”, começando por rasgar-se, infelizmente, o elementos identitário das instituições e, sobretudo, do povo de Deus. São claros os objetivos do referido documento:

A Congregação para a Doutrina da Fé, com o presente documento, deseja referir-se, à luz da relação entre dons hierárquicos e carismáticos, aos elementos teológicos e eclesiológicos cuja compreensão possa favorecer uma fecunda e ordenada participação das novas agregações na comunhão e missão da Igreja. Com este objetivo, serão primeiramente apresentados alguns elementos chave, quer da doutrina sobre os carismas presente no Novo Testamento quer da reflexão do Magistério sobre estas novas realidades. De seguida, partindo de alguns princípios de ordem teológico-sistemática, serão oferecidos elementos identitários dos dons hierárquicos e carismáticos juntamente com alguns critérios para o discernimento das novas agregações eclesiais. (n. 3)

Trabalhemos, vindos de todos os estilos de vida e de todas as latitudes carismáticas, no Espírito de Comunhão que o Pai e o Filho nos deram, no mesmo “tear” , para que, à entrada do Reino, todos tenham aquela veste, cuja textura é, unicamente, a da extraordinariamente amorosa Vontade de Deus que salva!

[Oração] Sal 50 (51)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu