Espírito de Paz, o fogo que faz parte do programa

[Leitura] Jer 38, 4-6. 8-10; Hebr 12, 1-4; Lc 12, 49-53

[Meditação] Escutei na voz de uma jornalista de um dos telejornais da véspera, que um dos fogo a que se estava a assistir não fazia parte do programa. Não sei se, sem intenção, quisesse afirmar que alguns incêndios são programados, o que não deixa, pelos vistos, mesmo que não o dissesse, de ser verdade. Mas, também, porventura, sem o saber, ela tem razão: só há um tipo de fogo que já foi programado há muito tempo e que tem levados muitos homens e mulheres de boa fé a colaborar com Ele: o Espírito de Paz que Jesus nos veio trazer. Este fogo incomoda muita gente, simplesmente, porque incomoda a falsa paz a que os homens chamam de um prazer obtido por uns à custa de muitos. Acontece mundialmente, como numa nação, como, até, pode acontecer como adverte Jesus dentro de uma casa de família. Enquanto a verdade que dá felicidade não for comunhão expressa em atitudes e valores, o Espírito não descansa nem deixa descansar.

A atitude de Jesus, que combateu até à última gota de sangue, está prefigurada no profeta Jeremias que alguns “príncipes” quiseram, com o poder (concedido pelo rei) que tinham nas mãos, encerrar numa cisterna para que não incomodasse a falsa felicidade dos homens. Estes personagens encontram no cenário que temos vindo a contemplar pelos órgãos de comunicação social uma certa correspondência. Vejamos: um Presidente da República que abraça, com sentimentos de pai, um homem que ficou sem casa ardida nos incêndios; a vida política a mostrar o seu pior “incêndio” no que toca à destruição dos valores fraternais mais básicos da vida na sociedade, alternativamente à real prioridade que é acudir aos incêndios que destroem vidas, demonstrada na atitude de corporações de bombeiros que noite e dia, sem olhar a vencimentos, arriscando a própria vida, cumprem o dever que prometeram. Os que detêm o poder neste mundo terão seguido Jesus à letra ou tê-Lo-ão entendido ao contrário? À letra os fundamentalistas e os dementes; ao contrário os que subvertem os valores. Um banho de água bem fria sobre eles!

Há impedimentos que impedem de exercer um serviço importante em favor dos outros. Ter-se-ão analisado as capacidades de alguns, pelo que se vê nas suas atitudes, para os vermos à frente de todos estes males, em vez da defesa dos bens comuns? E o pecado apaga o fogo do Espírito Santo, pelo que somos convidados a assumi-lo objetivamente, para que a misericórdia de Deus possa preencher o vazio deixado pelos desejos humanos desordenados com a paz verdadeira que só Ele pode dar. Sim, esta Paz está programada desde o princípio. Não devemos temer, mas, como os nossos irmãos na Síria, lutar até ao fim, mesmo que nem todos venham a assistir a vitória que já se vislumbra neste mundo como consequência dos gestos corporativos entre as nações, povos e aldeias, no acudir a estes “incêndios” de vária ordem que não estavam programados, mas que a liberdade humana limitada resolveu atuar como resposta a motivações ilusórias de uma falsa paz.

[Oração] Sal 39 (40)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo