Com Maria, a justiça que vence é a que dá esperança às nações

[Leitura] Miq 2, 1-5; Mt 12, 14-21

[Meditação] Muitas vezes acontece o paradoxo: a porta fechada que se deveria abrir dá lugar a um penoso percurso de caminho para o mesmo céu. Na Igreja acontece frequentemente, também, fecharem-se portas onde as pessoas esperavam uma abertura para uma vida melhor. E, nas fronteiras de uma comunidade com um conjunto simpático de fiéis que ajudam o pastor a cuidar das coisas institucionais, há uma imensidão de gente a entrar e a sair pelos diversos motivos, sem dar importância ao protocolo dos respeitos humanos. Há muito que assinei por baixo e tenho sempre presente a afirmação, provada pela estatística, de que se defender mais as instituições sem ter em conta o bem das pessoas a quem devem servir, essas mesmas instituições estão condenadas ao fracasso. Não o digo pela “porta de Pedro”, mas pelas portas dos templos das comunidades: muitos dos que já lá não entram, por vários motivos mais ou menos racionais/espirituais (alguns serão de ordem psicológica!), acabam por aparecer, de forma discreta, na procissão organizada para acolher a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.

De facto, a Virgem Maria, ainda que o Seu papel nos mereça uma simples mas honrosa veneração, consegue frutos de santidade que a instituição Igreja não vislumbra no olhar dos seus pastores. Não admira! Talvez os parâmetros com os quais se avalia essa santidade vinda do céu não estejam bem sincronizados, ainda que se perceba haver uma relação estreita entre piedade popular e liturgia, dons carismáticos e dons hierárquicos. A questão mais premente, hoje como sempre, sem modas epocais, é o da justiça entendida como misericórdia. Esta só tem uma Palavra de ordem: a de Deus misericordioso. Essa Palavra obriga a não descartar pessoas, mesmo que elas sejam miseráveis marginais! Contrastante é a justiça humana, muitas vezes, medida por vários tipos de balança, conforme as conveniências. Por isso, Jesus Cristo não descansa enquanto não levar a sua justiça à vitória, não deixando de levar com Ele, pela cura, os doentes que encontra pelo caminho. Maria é a sublime medianeira, a quem recorremos por tudo e por nada. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós! Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós!

[Oração] Sal 9 (10)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo