Publicado em Lectio Humana-Divina

Pequeninos: “canal” preferencial da comunicação divina

[Leitura] Is 10, 5-7. 13-16; Mt 11, 25-27

[Meditação] Ninguém pode ignorar ou contra-argumentar a preferência de Jesus pelos pequeninos, a não ser por um protocolo ignorantemente pretensioso. E esta sua predileção não tem nada de condescendência mórbida. Pelo contrário, agradece ao Pai por Se agradar em Se revelar a eles. E se o Pai e o Filho concordam nisso, o que fará o Espírito de Amor!

Também Eles Se revelam através do Papa Francisco que recentemente decidiu ler e responder a cartas de crianças de todo o mundo. Certamente, elas têm muito a dizer e não duvido que as suas questões, por mais simples que sejam, muitas vezes retratam uma sensibilidade que os adultos ignoram ou esqueceram, tão ocupados que estão, frequentemente, em coisas inúteis! Não estou a maltratá-los, até porque eu sou um deles. Falo por mim! O problema é: não temos tempo para formular as questões essenciais que os mais pequenos têm à “flor da pele” e formulam sem preconceitos. E o Papa dá-se tempo em responder a estas perguntas, com certeza, porque reconhece e louva como Jesus, com agrado, que elas revelam algo da sabedoria de Deus, tantas vezes escondida aos mais inteligentes.

As imprecações que estamos a ouvir na profecia de Isaías, certamente ainda ecoam entre o Ocidente e no Oriente em que milhares de crianças são maltratadas na sua dignidade, senão mortas sem terem a oportunidade de experimentar aquele agrado de Deus para que os adultos O possam perceber melhor. Sem elas, de facto, nunca conseguiremos escutar certas mensagens que só nos vêm por este “canal” preferencial da comunicação divina. Se não dermos atenção a isto, baixando os nossos ouvidos aos mais humildes do povo, de onde se podem descobrir critérios mais eticamente coerentes para orientar a pastoral e a política, por mais robustos que sejam os nossos esforços, corremos o risco de ver definhar os frutos que esperamos desses nossos vãos projetos.

[Oração] Sal 93 (94)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu