Publicado em Lectio Humana-Divina

Jesus envia os seus com estratégias, não camuflagens

[Leitura] Os 14, 2-10; Mt 10, 16-23

[Meditação] À primeira vista, o que Jesus sugere como estratégia aos seus Apóstolos parece fuga ao testemunho do martírio, quando lhes diz «quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra». Mas não: lembra-lhes que, como Apóstolos, têm de continuar a sua missão e o dever de presidir ao bem dos irmãos. No tempo devido, haveriam de dar testemunho. Não podemos confundir testemunho cristão com a fuga à responsabilidade. Não os manda esconder-se, mas de continuar o caminho planeado. Jesus também percorria cidades e aldeias.

As estratégias, pois, que Jesus propõe aos Apóstolos em alternativa às “camuflagens” farisaicas mais conotadas com a real hipocrisia são a prudência como a das serpentes que «escrevem direito por linhas tortas» (como faz o seu Criador: tortas aos olhos dos homens, direitas aos olhos de Deus!) e a simplicidade como a das pombas que voam por cima dos que não são verdadeiros problemas, por vezes, a perturbar o caminho do Espírito. Como lemos na profecia de Oseias, «os caminhos do Senhor são retos: por eles caminham os justos e neles tropeçam os pecadores». Esta “retidão” pouco tem a ver com as linhas traçadas à régua e esquadro pelos homens. Por vezes, o que é muito linear e simétrico é causa de pecado, enquanto que os valores, mesmo quando aleatórios, podem ser causa de salvação.

Neste nosso tempo, já há muito que a Europa começou a ser um espaço onde podemos treinar esta forma de andarilhar como discípulos-missionários. Entre uma política de “camuflagens” com interesses de aproveitamento geral e os que nem sequer querem ouvir falar do Nome de Jesus (nem na teoria, nem na prática!). De facto, nas capitais já coabitam as grandes manifestações públicas pós-Ramadão, pela oração de uns, enquanto que outros, como celebração, já mandam crucificar cristãos. Em nome de um falso respeito cultural, não faltará muito a que as próprias famílias “de tradição cristã” tenham de dar testemunho dentro delas mesmas, entre pais, filhos e irmãos, face às tribulações anunciadas por Jesus. Prudência e simplicidade. Não à negação do nome de cristãos!

[Oração] Sal 50 (51)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu