Seguir Jesus é habitar a “outra margem”

[Leitura] Am 2, 6-10. 13-16; Mt 8, 18-22

[Meditação] A multidão dos que seguiam Jesus era capaz de O perseguir para onde quer que fosse; mesmo, até, os discípulos mais próximos o afirmavam como ideal aparente de vida. Mas… será que O seguiam pelo valor da vida eterna, tal qual Ele a apresentava? O seguimento de Jesus, entre o que Ele nos quer oferecer e a resposta que na prática damos, acontece o mesmo que é descrito pela Psicologia como sendo o tempo que decorre entre o começo de um estímulo e a resposta do ser humano. As afirmações de fé que fazemos, nem sempre manifestam exteriormente o que na prática elas implicam, dissimulando um pouco a entrega.

A profecia de Amós denuncia um conjunto de injustiças que, mesmo hoje, se corre o risco de praticar, ao mesmo tempo em que se proclamam com bons discursos altos valores. Porque haveria de escandalizar a palavra “genocídio” no discurso do Papa Francisco na sua recente viagem à Arménia? As suas declarações são, como em Jesus, uma aposta na vida verdadeira, implicando uma nova postura na forma de viver esta perecível vida terrena, com a afirmação prática dos valores que a dignificam.

Para conseguirmos aceitar e, na prática, começarmos a habitar a “outra margem” que Jesus nos propõe, podemos começar por compreender que essa margem não um porto paradisíaco, nem um resort caro para o qual é preciso ganhar no euromilhões. Nao é um espaço físico, mas uma relação. E uma relação que implica viver como Ele vive, já como verdadeiro homem, para, a pouco e pouco, aprendermos a viver também as prerrogativas do ser filhos adotivos do mesmo Pai. Habitamos essa “outra margem” à medida em que conseguirmos, como nos ensinou o Apóstolo Paulo, deixar de obedecer às leis da carne, para obedecer à Lei do Espírito.

[Oração] Sal 49 (50)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo