Publicado em Lectio Humana-Divina

A lei sem espírito é como um corpo sem alma

[Leitura] 1 Reis 18, 41-46; Mt 5, 20-26

[Meditação] Certamente já nos cruzámos com aquele tipo de pessoas que são exímias em cumprir todas as regras “impostas” para a regulação da sociedade e sugeridas dentro dos objetivos da comunidade crente, mas que, no dia-a-dia, têm alguma dificuldade em se relacionar com os outros, seja com os que cumprem pouco ou nada, seja com os que cumprem muito ou mais que essas pessoas. Competir no cumprimento exímio das leis não é o mesmo que rivalizar na caridade fraterna (cf. Rm 12, 9ss). Por isso, a fronteira entre o ser cristão e o ser pré ou anti-cristão nesta matéria é muito ténue! Depende como entendemos e praticamos as leis.

Para Jesus está claro: fundamentado na vontade do Pai, a lei é para levar ao máximo cumprimento e este só se consegue no amor. E o critério para avaliar a sua exequibilidade em favor da salvação depende do discernimento à luz do Espírito. Portanto, não é o mero livre arbítrio humano o critério da validade de uma lei. Não sendo assim, qualquer pessoa que chegue ao poder num determinado país, se for a usar meramente o seu livre arbítrio, poderia, com as suas propostas destruir a vida dos seus cidadãos (já não seria a primeira vez…).

A justiça de Deus, chamada de misericórdia, supera a justiça dos homens, preocupados muitas vezes só com o cumprimento meramente material para manter a ordem (frequentemente justa para uns e injusta para outros e quase sempre os mais fracos e pobres). A totalidade do bem − quer agrade ao profeta Elias, quer não agrade − é o objetivo de Deus, para o qual Ele concorre sempre com o seu amor absoluto. Ele “escreve direito por linhas tortas” e se endireitamos todas as “linhas” corremos o risco de resistir ao Seu Espírito, não chegando a acolher o direito divino que é a sua suma vontade em salvar-nos. Colaborar com Jesus neste projeto implica, pois, a reconciliação com Deus e com os irmãos, que formam uma só clausula do amor cristão.

[Oração] Sal 64 (65)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu