Publicado em Lectio Humana-Divina

Escutar e amar: prefácio e cânone da comunhão humano-divina

[Leitura] 2 Tim 2, 8-15; Mc 12, 28b-34

[Meditação] Hoje em dia, milhares de relatórios são pedidos aos técnicos seja de que área profissional for, para justificar o empreendimento de recursos e avaliar se os objetivos foram conseguidos. Diante do escriba, porém, Jesus apresentou como preâmbulo do maior mandamento da Lei, que é o amor, o convite à escuta. “Preâmbulo” é definido pelo dicionário como o “relatório que precede uma lei ou um decreto”. No caso do mandamento do Amor, o Mestre aconselha que se escute tudo antes, depois passe-se a praticar convenientemente a boa ação que faz ganhar a vida eterna.

Na sua segunda carta afetuosa a Timóteo, Paulo adverte que se evitem contendas de palavras, dizendo que não servem para nada, senão para perdição dos que as ouvem. Na verdade, quanta caridade se perde por se fazerem relatórios posteriores às boas ações, como se o mérito viesse das pessoas que as praticam. Se se pusesse mais ênfase na escuta interior da voz de Deus-Amor, certamente que entre a escuta e a ação da caridade não se demoraria tanto em… inúteis pregações. A melhor pregação é o amor inspirado em Deus; e a melhor comunhão é a que escusa relatórios póstumos.

Escutar-Amar é a melhor “oração eucarística” da liturgia da vida, em que a Lei é a ação de amor a Deus e ao próximo, em que o discernimento constante para a sua prática mais justa é iluminado pela escuta da voz de Deus e das vozes humanas. Em vista a uma comunhão plena com Deus, requer-se, pois, uma corajosa lectio-humana iluminada pela constante lectio-divina. Rareia a caridade quando a justiça se perde em leis inúteis, porque desligadas da sua fonte inspiradora. Assim eram as 613 leis vigiadas pelos escribas. O “espírito da lei” encontrado por Jesus em Dt 6, levou-o a utilizar poucas palavras para descrever o essencial caminho dos homens para Deus. “Escribemos” muito? Ou escutamos mais, para amar melhor?!

[Oração] Sal 24 (25)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo
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Autor:

Padre da Diocese de Viseu