Publicado em Lectio Humana-Divina

Com Jesus, toda a peregrinação é uma visitação

[Leitura] Sof 3, 14-18; Rom 12, 9-16b; Lc 1, 39-56

[Meditação] Quando Se dirigiu até onde morava a sua prima Isabel, Maria levava Jesus no seu seio. Doravante, o caminho que os cristãos fizerem, conscientes e gratos pela presença da graça prometida por Deus pelos profetas (cf. Sofonias: «O Senhor está no meio de ti»), então, na meta da caminhada tem de estar sempre um destinatário dessa graça que lhe confirme a alegria de a ter transportado sem ser em vão. Isabel foi, para Maria, ao mesmo tempo, destinatária e confirmação da presença do Filho de Deus no seu seio virginal.

Depois da Eucaristia, olhando para esta como fonte da graça,  ou depois de qualquer outro sacramento, como nos dirigimos ao encontro dos irmãos, da família, do emprego, etc.? Com que tipo de “pressa”? Maria caminhava para um lugar preciso, ao encontro de pessoas precisas, mesmo que os declives da montanha representassem a presença de riscos incalculados. Não poderá este episódio da vida de Maria ser para nós o convite a fazermos uma melhor experiência da “administração espiritual do tempo”? ANSELM GRÜN e FRIEDRICH ASSLÄNDER, na obra com este título, ajudam-nos a perspetivar a vida como um caminho em que o Cronos (tempo medido pelo relógio) está ao serviço do Kairós (tempo completo pela graça) e não o contrário.

É a «caridade sem fingimento», proposta do Apóstolo Paulo, que nos pode ajudar a fazer com que o caminho que vai da Eucaristia aos irmãos não seja igual ao caminho que fazemos ao encontro dessa fonte que nos permite caminhar com Jesus no seio da vida ao encontro dos horizontes que Ele nos propõe. Depois da Eucaristia, permitida por esta primeira visitação da história que foi a de Maria a Isabel, só podemos exclamar uma espécie de Magnificat no encontro com os outros, imitando Maria, e, como Isabel, bendizer a Deus pelo bem que acontece aos outros. É com o mesmo sentimento que transporta Deus dentro de si que seremos, na esperança, chorar com os que choram. Os Ministros da Comunhão que, a maior parte das vezes ao Domingo, visitam os doentes, sabem bem contemplar na sua vida o que a liturgia da palavra deste dia significa.

[Oração] Lc 1, 46b-55:

«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas,
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre».

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu