Publicado em Lectio Humana-Divina

A “figueira”: do templo que reza, na caridade que perdoa, ao serviço que frutifica

[Leitura] 1 Pedro 4, 7-13; Mc 11, 11-26

[Meditação] Hoje, depois de termos celebrado a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo − alimento perene para a vida eterna − o evangelista Marcos (que se pode lar na sequência de Lucas), mostra-nos Jesus (talvez ou não, depois da multiplicação dos pães) a passar pelo Templo, observando-o e passando adiante, para Betânia. Talvez a observações do Templo o deixasse enervado e dirigiu-se para a terra dos seus amigos Lázaro e as irmãs para encontrar alguma serenidade.

No caminho encontra-se com uma figueira, que utiliza como metáfora da responsabilidade do povo de Israel, entre a forma de utilizar o Templo e os frutos que é chamado a dar como fruto da sua relação com Deus. No ímpeto desta viagem, no regresso, os Doze dão conta do que acontece à figueira. Certamente, Jesus lhes quis manifestar como é que Ele quer que sejam os lugares de oração na nova Igreja que vai fundar: espaços abertos, destinados somente à oração. Não como hoje, em muitas das nossas igrejas e santuários, que se veem como espaços museu e de comercialização, ainda que de objetos meramente religiosos.

Pedro, o porta-voz dos Doze, deve ter aprendido bem a lição, pela forma como escreveu o que hoje pudemos ler na primeira leitura. Para que, na vida quotidiana e na relação com os outros, a caridade dos cristãos possa ser intensa, a pontos de merecer o perdão, e o serviço possa frutificar, a pontos de a vocação ser a alternativa a qualquer maldição, é necessário ser prudentes e sóbrios, dedicando o tempo, sem distração alguma, à oração. E o poder desta está, de facto, não em fazer “magias”, mas em fazer-nos eficientes na caridade, no perdão e no serviço aos irmãos. O desafio é estarmos sempre preparados, para quando o Senhor passar por nós e nos pedir o “alimento” que Ele quer, saibamos que não será nunca mais do que aquele Alimento que Ele Se nos ofereceu eternamente.

[Oração] Sal 95 (96)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu