Publicado em Lectio Humana-Divina

Testemunhar é oferecer a “cera” da nossa humanidade à “queima” do Espírito

[Leitura] Act 20, 17-27; Jo 17, 1-11a

[Meditação] Ainda ontem o Santo Padre declarou que «na vida de muitos cristãos o Espírito Santo é um “prisioneiro de luxo”, como um recluso a quem se proibiu toda a liberdade de ação». Hoje, a Liturgia da Palavra mostra-nos o Apóstolo Paulo a declarar-se «prisioneiro do Espírito» sem saber o que o espera em Jerusalém. Na verdade, se “aprisionarmos” o Espírito, resistindo à sua força e fechando ouvidos aos seus avisos, nunca perceberemos a que hora o Senhor nos dará oportunidade de nos expormos à glória de Deus. Paulo participa da oração sacerdotal de Jesus, percebendo, também ele, que está para chegar a sua hora de dar testemunho, com o martírio (passe o pleonasmo), do Evangelho da graça de Deus que pregou de casa em casa. Essa hora é a da Paixão e Crucifixão que antecede o prémio da vida eterna. Ser cristão é reconhecer Jesus na Sua entrega por nós e, através d’Ele, ver o Pai e aceitar a nova forma de vida que Ele nos propõe, que implica dá-l’O a conhecer aos outros.

Na perspetiva desta “hora” que, de vez em quando, certamente cada um de nós pressente com ajuda do “despertador” que é o Espírito Santo, ou seja, na hora de dar testemunho, é muito fácil cairmos no rol dos que infligem ou dos que se deixam levar pelo medo. Neste caso, aprisionamos o Espírito e perdemos liberdade, em vez que nos deixarmos “aprisionar” por Aquele que nos pode dar a verdadeira liberdade. Com como é difícil darmo-nos conta de que os atrativos deste mundo são amarras e os que seduzem para ele são os verdadeiros carcereiros! A hora certa é a que o Espírito Santo nos avisa. É preciso dar-Lhe ouvidos!

Aceitemos viver esta semana, entre a Ascensão e o Pentecostes, no cenáculo, descobrindo e aprendendo a gerir os nossos medos para os entregarmos como “cera” para as chamas do seu fogo que, dessa “cera” que se vai gastando, poderá iluminar com a Verdade todos e tudo o que está à nossa volta. Cristão é isso: uma vela feita da “cera” da humanidade com a “chama” da Luz de Deus. É bom que esteja acesa até se gastar!

[Oração] Sal 67 (68)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu