Sacerdotes para uma nova evangelização I

Uma leitura pneumatológica da Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis (PDV) do Papa João Paulo II permite-nos ir à procura das motivações que moveram os Padres Sinodais a colocar a questão da formação dos padres para os tempos atuais, por um lado, e que incentivam, por outro, os formadores de hoje a adequar a preparação dos novos presbíteros às circunstâncias de uma Igreja particular concreta em renovação permanente (sinodal).
Do ponto de vista metodológico, o documento pontifício centra toda a espiritualidade do presítero no dom do Espírito que é conferido mediante a Ordenação sacramental, pelo qual «o pesbítero participa da consagração e da missão de Cristo em modo específico e de plena autoridade» (PDV 18d), continuando, com a sua vida e ministério, pela ação do Espírito Santo, a vida e a ação do próprio Cristo (cf. PDV 18e). Daqui a conveniênica e necessidade de fazermos uma leitura pneumatológica da PDV. Os princípios enunciativos desta leitura poderão ser os seguintes:
* Não se realiza uma autêntica obra formativa para o sacerdócio sem o influxo do Espírito de Cristo (cf. PDV 65c);
* O Espírito do Senhor é o grande protagonista da vida espiritual do sacerdote (cf. PDV 33b);
* O protagonista, por antonomásia da formação do candidato da formação para o sacerdócio é o Espírito Santo (cf. PDV 69b);
* Cada momento pode ser um “tempo favorável” (cf. 2 Cor 6, 2), no qual o Espírito Santo conduz diretamente o sacerdote a um crescimento na oração, no estudo e na consciência das próprias responsabilidades pastorais, para além de momentos “privilegiados”, mesmo se mais comunitários e pré-estabelecidos (cf. PDV 80a).

Do ponto de vista dos conteúdos, em PDV 53e descobrimos um entrelaçamento osmótico entre a formação intelectual teológica, vida espritiual e vida de oração, sintetizado na sabedoria de Boaventura:

«Ninguém pense que lhe baste a leitura sem a unção, a especulação sem a devoção, a busca sem o assombro, a observação sem a exultação, a actividade sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça divina, a investigação sem a sabedoria da inspiração divina.»

(Itinerário da mente para Deus, citado na nota 168 da PDV)

De facto, unção, devoção, assombro, exultação, piedade, caridade, humildade, graça divina, sabedoria… são todos dons e frutos do Espírito Santo, deo forma que nenhuma formação (inicial e permanente) e vida ministerial dos presbíteros pode existir fora da ação do Espírito Santo.

Os textos do Sacramento da Ordem são teestemunhos dos conteúdos perenes da revelatio (a dimensão descendente ou de santificação – ao Pai, pelo Filho, em virtude do Espírito Santo, na Igreja) que se tornam traditio (a dimensã ascendente ou do culto – desde a Igreja, no Espírito Santo, por Cristo, ao Pai) como praxe vital do culto.