Publicado em Lectio Humana-Divina

Dedicar a vontade ao Senhor para sair do ‘inverno’ da fé

[Leitura] Act 11, 19-26; Jo 10, 22-30

[Meditação] A crónica dos Atos dos Apóstolos que hoje escutamos ajuda-nos a perceber que a expansão da fé cristã coincide, por vezes, com a dispersão por causa da perseguição. Aparentemente e a priori, poderíamos pensar que isso significa consequentemente a perda de fé ou da força das comunidades, mas não necessariamente! No caso de hoje, em Antioquia, a dispersão possibilitou que também fosse anunciado o nome de Jesus aos gentios, com a consequente adesão destes ao grupo dos que se passaram a chamar-se de “cristãos”.

Aderir ao Senhor não é uma questão de tempo ou de espaço, de condições propícias ou de boa organização comunitária. Estejam os homens onde estiverem e vivam seja que circunstâncias for, é a boa vontade que pode abrir a porta à relação com Jesus Ressuscitado, deixando que Ele faça maravilhas e indique o caminho da perfeição da fé, quase sempre de lógica diferente ao sucesso do mundo.

Barnabé é um dos exemplos dos primeiros discípulos missionários que exultou de alegria pela abertura da pregação aos gentios, exortando a que se conservassem fiéis ao Senhor de coração sincero. É uma referência para a nossa Igreja, hoje, chamada a sair de si e a deixar os seus espaços de segurança estéril, partindo ao encontro de quem não se encontra em situação regular. Pode ser que o contacto com o mundo dos distantes nos entristeça e nos faça lembrar as nossas impurezas. Menos mal! A paz e a alegria cristãs compaginam-se com isso! Basta dedicar, docilmente, a nossa vontade ao Senhor. É Ele que nos guia para as “pastagens verdejantes” da fé!

[Oração] Hoje, um convite a rezar com as disposições propostas neste texto de Teilhard de Chardin:

Não te inquietes pelas dificuldades da vida,
pelos seus altos e baixos, pelas suas decepções,
pelo seu porvir mais ou menos sombrio.

Abraça o que Deus quer.
Oferece-lhe por entre inquietudes e dificuldades
o sacrifício da tua alma simples que, frente ao que quer que seja,
aceita os desígnios da sua providência.

Pouco importa que te consideres um frustrado
se Deus te considera plenamente realizado;
a seu gosto.

Perde-te confiada e cegamente nesse Deus
que te quer para si.
E que chegará até ti, ainda que nunca o vejas.
Pensa que estás nas suas mãos,
tanto mais fortemente acolhido
quanto mais decaído te encontres.

Vive feliz. Suplico-te.
Vive em paz.
Que nada te altere.
Que nada seja capaz de te tirar a paz.
Nem a fatiga psíquica. Nem as tuas faltas morais.

Faz que brote, e conserva sempre sobre o teu rosto,
um doce sorriso, reflexo de que o Senhor
te dirige continuamente.

E no fundo da tua alma coloca, antes de mais nada,
como fonte de energia e critério de verdade,
tudo aquilo que te encha da paz de Deus.

Recorda: tudo quanto te reprima e inquiete é falso.
Asseguro-te em nome das leis da vida
e das promessas de Deus.

Por isso, quando te sentires angustiado, triste…,
adora e confia!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu